Isolar a mulher – da série Rotinas do Parto “normal”: o que eles fazem com você que mais atrapalha do que ajuda

Padrão

 

 

É de praxe: a parturiente chega no hospital e mandam o papai pra recepção preencher papéis enquanto ela fica sozinha, sendo submetida às demais etapas do protocolo padrão de internação. É um momento delicado, a mulher sente dor, se sente vulnerável, está em um hospital, que por si só é um ambiente hostil à maior parte das pessoas, com gente que nunca viu, recebe comandos: tire a roupa, tome banho, coloque essa camisola, deite-se aqui.

Sozinha, sem ter uma mão para segurar ou para afagar seus cabelos, sem ter que possa proporcionar a sensação de segurança tão necessária para que o trabalho de parto transcorra naturalmente, sem ter alguém que possa fazer valer suas vontades mais simples. É o ciclo medo-tensão-dor. Sozinha, sente medo. Com medo, fica tensa. Tensa, a contração dói mais. Sim, pro trabalho de parto fluir você precisa relaxar.

Nascimento de João Vítor

E a explicação vai além. Existe todo um equilíbrio hormonal que precisa estar sintonizado para o parto evoluir . O que faz a mulher dilatar é a pressão da cabeça do bebê contra o colo uterino e a tração muscular, ambas provocadas pela contração do útero. Quem faz o útero contrair é a ocitocina, também conhecida como hormônio do amor. A adrenalina é um hormônio que produzimos quando temos medo e esse hormônio é antagonista da ocitocina ou seja: os dois não trabalham juntos. Então em um ambiente onde haja adrenalina, a ocitocina não cumpre seu papel, as contrações acabam não sendo eficientes (muitas vezes até cessam, foi o que aconteceu comigo por ter mudado de ambiente na hora do expulsivo no primeiro parto. A adrenalina de estar em uma nova sala, de ter saído do estado de concentração em que estava, ter sido puxada de volta da partolândia para o mundo consciente, tudo isso bloqueou minhas contraões e elas sumiram. Quando eu estava lá, todo mundo olhando, esperando pro bebê nascer, as contraçoes não vinham. Foi necessário um tempo de adaptação com o novo ambiente para que voltasse a fluir).

 

MAIS medo = MAIS tensão = MAIS dor = MAIS adrenalina = MENOS ocitocina = MAIOR duração do trabalho de parto

 

Aí a moça internada, sozinha, com dor e medo não dilata e o que eles fazem? Colocam o tal do sorinho… E uma companhia de qualidade talvez fosse muito mais eficiente, como de fato é. Por isso a OMS recomenda que a mulher tenha um acompanhante durante TODO o processo de prá-parto, parto e pós-parto. E o Ministério da saúde estabelece que a mulher tem o direito, garantido por lei, de se fazer acompanhar por pessoa de SUA ESCOLHA, independente de sexo ou grau de parentesco. O objetivo é que ela se sinta mais segura. E as evidências demonstram que uma atitude simples como essa reduz a necessidade de intervenções, abrevia a duração do trabalho de parto e aumenta o grau de satisfação materna e promove o vínculo precoce, quando o acompanhante é o pai, além de outros benefícios.

E a lei é válida pra TODOS os hospitais, sejam particulares ou do SUS. Essa lei vai fazer OITO anos. Os hospitais tinham prazo pra se adequarem e até hoje, continuam usando a desculpa de que não têm estrutura para receber o acompanhante. E todos os dias, milhares de mulheres tem seu direito violado ao serem impedidas de parir acompanhadas.

Quer saber mais? Então dá uma espiada aqui ó. E se você foi impedida de ter seu acompanhante, DENUNCIE! Faça valer o seu direito.

 

Obs: imagens da web – clique sobre elas para ser redirecionado para o site de origem. A imagem é sua? solicite exclusão que apago imediatamente! Smiley piscando

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  1. Bem nesta mesmo, eu tive o privilégio de acompanhar o parto de minha filha que nasceu pré matura, sem sombra de dúvida foi a imagem mais linda e importante que terei em minha mente! É importante para a família este momento!

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