TOQUE – da série Rotinas do Parto “Normal”: o que eles fazem por você que mais atrapalha do que ajuda.

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TOQUE – da série Rotinas do Parto “Normal”: o que eles fazem por você que mais atrapalha do que ajuda.

 

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Esse é de praxe. E nem precisa estar em trabalho de parto! Basta estar grávida. Tem médico que faz toque em toda santa consulta do pré-natal. Gente, outro procedimentozinho desagradável e, na maior parte das vezes, dispensável. E como todo procedimento dispensável, pode sim atrapalhar e mais que isso! Pode até ser um vetor de bactérias, fungos e vírus, principalmente durante o trabalho de parto e com a bolsa rota (depois que rompe a bolsa de água).

Pra que serve?

O Exame de toque serve para avaliar a condição do colo do útero da gestante/parturiente através da textura, posicionamento e dilatação do colo, por que pro bebê nascer, o colo precisa dilatar. Assim, através do toque, se pode avaliar o andamento do trabalho de parto, se está de acordo com o desejado ou se é necessário intervir de alguma forma. A OMS sugere que sejam feitos periodicamente (aproximadamente a cada duas horas), para adequado preenchimento do partograma, que é um gráfico, uma ferramenta, que permite analisar a evolução do trabalho de parto e, em conjunto com os demais sintomas e características observadas pela equipe, ajuda a decidir se e quando é hora de intervir (não signfica fazer uma cesária necessariamente, mas quem sabe sugerir uma outra posição, uma caminhada, uma massagem ou até mesmo uma alternativa medicamentosa, como o uso de ocitocina sintética ou até analgesia).

Como funciona?

O examinador introduz DOIS dedos na vagina da gestante/parturiente e toca o colo, que fica lá dentro, lá no fundo. Ele pressiona (supostamente de leve) para verificar se está macio ou firme, tateia para identificar a posição e pela distância da abertura dos dedos, ESTIMA o quão dilatado está. Ou seja, ninguém mede com exatidão, não há um instrumento específico para medição e também não são introduzidos DEZ dedos para dizer que está com oito, nove ou dez dedos de dilatação. Em geral, o colo fica com aproximadamente 10 centímetros quando a dilatação está completa. Mas isso é uma aproximação, uma média. O ideal é pensar nestes valores como porcentagens onde 1 é 10% e 10 é 100%. Então quando um colo tem 6 cm de dilatação, significa que está 60% dilatado. E sendo uma medida subjetiva, também varia de examinador para examinador. O que é 7 pra mim pode ser 6 pra ti ou seja… Não é o valor em si que importa e sim o fato de ter aumentado a dilatação ou não. Por isso não há sentido em ser feito por mais de um examinador.

Tá, mas qual o problema afinal?

Vamos começar pelo exame de toque no pré natal. Você, uma gestante saudável, grávida de oito semanas, vai no GO e ele fala que vai fazer exame de toque. Me diga: PRA QUÊ? Você está em TP? Teve sangramento recente? Algo que justifique tal conduta? Não. Você está perfeita e radiante. Ai faz um exame que por si já é desagradável, pois, piadinhas à parte, é sim, chato e incômodo ter um estranho introduzindo dois dedos na sua vagina, por mais que procure relaxar e olhe pro teto pensando amenidades, é CHATO, DESAGRADÁVEL E CONSTRANGEDOR. Dependendo da experiência e da delicadeza do examinador e da sua capacidade de relaxar nessas condições, é um exame que pode doer sim. Pra completar, a estimulação mecânica do colo pode causar um leve sangramento e até cólicas (meus dois filhos nasceram após exames de toque). Preciso falar que cólicas e sangramento são um pacote pânico perfeito pra qualquer grávida? E a troco de quê? De nada, por curiosidade, pra dizer que fez. (leia a complementação abaixo).

“Ah, mas no fim da gestação é bom fazer, pra ver se tem dilatação”. Tá. Pode espiar se está curiosa e estando ciente de que pode te dar cólicas e sangramento, então, sem pânico. Mas não ter dilatação com 38 semanas NÃO QUER DIZER NADA! Aliás, não ter dilatação com 40 semanas também não quer dizer nada. Você precisa dilatar DURANTE o parto e não antes dele.

Agora, durante o TP: ao chegar na maternidade, casa de parto ou quando a equipe chegar em sua casa provalmente farão um toque. Geralmente não é considerado parto ativo se você não tiver mais que 3 ou 4 cm de dilatação. A conduta, neste caso DEVERIA se expectante ou seja, vamos esperar e ver no que dá, por que pode ser alarme falso, pode parar e recomeçar dali a 3 dias.

Mas se a dilatação é maior que quatro e for constatado que de fato a mulher está em trabalho de parto, não há por que fazer toque de meia em meia hora. O toque atrapalha por que muitas vezes a mulher é colocada em posição de litotomia para realização do exame, que é uma postura incômoda (e perigosa). Muitas vezes precisa parar o que está fazendo e se desconcentra para fazer o exame. Além de tudo, dói.  O ideal é que seja feito entre as contrações e não durante uma, com a mulher na posição mais cômoda para ela e não para o examinador. E obstetras, obstetrizes e parteiras experientes, sabem existem outros sinais muito mais relevantes de que o TP está progredindo. A duração das contrações, a intensidade delas, o intervalo entre elas, o próprio estado de consciência da mulher, tudo isso aponta para o estágio do TP em que a mulher se encontra.

Depois que a bolsa que contém o líquido amniótico se rompe, não há mais a barreira mecânica entre o bebê e o meio externo e assim, microorganismos podem contaminar o ambiente uterino. Portanto, após a ruptura da bolsa, deve-se ter ainda mais cautela com o exame, que pode servir como vetor de microorganismos patológicos.

Outra coisa que me perturba são aqueles relatos de mulheres que receberam o toque de DIVERSOS examinadores. Principalmente em hospitais universitários, 10 ou mais alunos usam aquela mulher como cobaia pra aprenderem a fazer o toque. E ela ali, desconfortavelmente deitada, indefesa e constrangida, aceita esta invasão calada. Ninguém é obrigada a aceitar. E eles não podem fazer isso sem pedir autorização para a parturiente. É violência obstétrica das mais graves.

Também pode ser usado como forma de subjulgar e castigar a mulher, com um exame de toque mais invasivo e dolorido como tortura, para que cale ou pare de gritar. Infelizmente, acontece.

Abre o olho, “mãezinha”!

  • Tem gente que dilata aos pouquinhos, devagar, chega até 3, quiçá 4 de dilatação assim, sem nem ver, durante os pródromos. Bom pra elas, na hora de parir, vai faltar menos (o que não quer dizer que vá ser mais rápido afinal, cada parto é um parto). Mas não ter dilatação antes de estar em trabalho de parto é perfeitamente normal. Assim, não ter dilatação com 38 semanas não é motivo pra agendar uma cesariana e não quer dizer que você não tem passagem. Não tem por que não é hora do bebê nascer. Simples assim Smiley de boca aberta.
  • Geralmente o SUS não interna mulheres com menos de 3 cm. Mandam dar uma voltinha e retornar se não passar. Mas na rede privada, pode apostar! Se chegar lá com mais de 38 semanas e com dor, mesmo que seja dor de barriga, mesmo que não haja dilatação, eles vão internar a gestante, vão colocar ela no soro (aliás, vão primeiro perguntar se ela quer chamar o médico dela pra fazer a cirurgia) e depois de fazerem de conta que estão tentando, vão olhar pra ela com cara de dó falar que há três horas ela não sai dos dois centímetros e que precisam operar. Não, não estou exagerando e não conheço um ou dois casos. Conheço centenas de relatos de mulheres que foram levadas para a cirurgia por não terem dilatação aos 2 cm ou seja, nem estavam em trabalho de parto ativo ainda.

E como foi comigo?

Fiz toque na primeira gestação, tinha um que fazia em toda consulta. Eu odiava. Depois de trocar de GO 3 x e achar um com quem me identifiquei (que fez o toque na primeira consulta, não sei pra que, pra ter certeza de que eu era mulher e tinha uma vagina, quem sabe – gente, piadinha, ok?) eu só voltei a fazer toque com 39 semanas. Na época, eu estava à 240 km de casa e queria saber se havia algum sinal de trabalho de parto iminente para que meu marido pudesse vir acompanhar o parto a tempo. Resultado: NADA DE DILATAÇÃO. Mas tive cólica e um leve sangramento. No outro dia ainda tinha colica e no outro dia meu filho nasceu, rsrsrs.

Na segunda, foi um parto domiciliar planejado e o obstetra tinha uma viagem marcada para o fim da semana, eu fechava 40 semanas no dia da consulta, já vinha com cólicas e perdendo o tampão mucoso há cerca de quatro dias. Além disso, cerca de 260 km nos distanciavam e eu queria ter uma vaga idéia de a quantas andava meu colo. PAra minha decepção, cerca de 1 cm. O toque me deixou com uma baita cólica, as contrações que eu já estava tendo há dias se intensificaram e Vini nasceu menos de 24 horas depois.

E agora? Nunca saberei se de fato era a hora de eles nascerem ou se o estímulo mecânico influenciou, mas enfim, foi. Sempre me dizem que não, que não foi o toque. Mas a pulguinha morrerá atrás da minha orelha e não consigo entender por que, mesmo sabendo que não quer dizer nada, fiz.

Obs.: Retirei a imagem utilizada da página Moça: teu GO é cesarista, do facebook.

P.S.: Teve médico enlouquecido comigo comentando. Eu postei os comentários devidamente respondidos. Mas como talvez você seja médico e esteja com pressa e louco pra me esculachar, vou colocar aqui sobre a questão da IIC.

Bem, o post se refere a gravidezes normais e saudáveis, de baixo risco. Agora, se há suspeita de Insuficiência Ístmo Cervical, até onde me consta, o protocolo é investigar ultrassonograficamente e verificar a espessura do colo, geralmente na morfológica do primeiro trimestre. MAs para haver suspeita a mulher tem que ter histórico de abortos recorrentes… Então, no caso de primigestas, qual seria o sentido de suspeitar de algo que acomete 1% da população em geral se o colo será medido na morfológica do primeiro e segundo trimestre? Aliás, para mulheres sem suspeita de IIC (e primigestas obviamente entram neste grupo) o protocolo é medir na do segundo trimestre (embora saibamos que é medida também na do primeiro).
E se não há evidências de que a cerclagem seja útil após as 27 semanas, onde o risco do procedimento pode superar os do parto prematuro, qual o sentido de investigar “tatilmente” após essa data?
Como falo, a vantagem de se conhecer como, porque e quando é feito o exame, é fundamental para que se possa fazer uma escolha consciente. E claro, contar com a assistência de um profissional de confiança também (seja obstetriz, enfermeira ou obstetra).

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  1. Pingback: Rotinas do Parto NORMAL – o que eles fazem por você que mais atrapalha do que ajuda | criaminha

  2. A gte fica besta na gravidez… Eu tb sabia que não precisava, mas se o médico tivesse pedido pra fazer, eu teria deixado…. Pelo menos qto a isso, sei que era hora da minha Mel nascer, pq cheguei no hospital com 5 cm de dilatação, era rede privada… Me internaram e nem cogitaram a possibilidade de cesárea… Fizeram esse maldito toque umas 3 vezes, e coisa de 1 hora depois minha bebê nasceu de parto normal!!!

  3. Parabéns pelo artigo, resume todo o ‘problema’ que é o exame de toque em palavras simples e fáceis de serem compreendidas por qualquer gestante. Adorei!

    • Então, Weslany… se tu não sentia nada de anormal, não precisava nem ter feito o exame. De fato, a partir de 36 semanas, muitos bebês nascem e sendo um parto normal, a maioria deles não costuma ter nenhum problema, respira e se adapta ao meio extrauterino com perfeição. Claro que essa medida é muito relativa e cinco centímetros já seria parto ativo ou seja, você estaria em trabalho de parto e muito provavelmente internada. Mas se não sente contração nem nada, acho estranho e prefiro acreditar que tenha sido uma medida equivocada (e desnecessária). 😉

      • Boa noite. Eu acabei caindo nesse blog pelo link que vi no face de uma amiga.
        Estou no ultimo ano da faculdade de medicina e vou ser obstetra.
        Entendo que seu objetivo aqui é ajudar mulheres que estão passando pela gestação, período que gera muita ansiedade para uma mulher. Concordo que muitos profissionais são indelicados e tomam medidas desnecessárias e até mesmo erradas na assistência ao parto.
        Eu, diferente de muitos dos obstetra brasileiros, defendo o parto normal. Mas ando chocada com como a onda de “violência obstétrica” está saindo de controle!
        Alguns meses atras, vi uma noticia de uma mulher que estava processando um hospital por, contra a vontade dela, ter realizado uma cesariana. Veja bem, a senhora em questão era uma gestante idosa, obesa, se me lembro bem hipertensa e estava com o feto pélvico. É possível fazer o parto por via vaginal? Sim, claro! Mas é possível que ela tenha complicações com isso, trazendo consequências terríveis para o bebe? Não apenas possível, isso é bem provável. Eu, como médica e como mulher, não seria conivente com arriscar a vida de um bebê por uma vaidade.
        A respeito do exame do toque, condenado nesta postagem. Me responda só uma coisa: você acha que a gente gosta de realizar o toque? Que é um momento bacana, prazeroso? Um hobby do obstetra? Obviamente, se a OMS orienta que seja realizado a cada duas horas para o preenchimento correto do partogrrama, há um motivo.
        Você disse muitas besteiras sobre como avaliar um trabalho de parto, me desculpe. Contrações podem predizer a progressão do trabalho de parto? Como justificar entao mulheres que tem filhos por parto normal e quase não sentiram dor? E as que tem muitas contrações e o feto não nasce? Existem complicações no trabalho de parto, se chamam distócias. Isso que o partograma avalia. Como diremos, então, se o feto não está conseguindo descer pela bacia materna, mesmo com um grande sofrimento da gestante pelas contrações? E se esse feto for maior do que o trajeto na bacia da mulher e isso não for constatado pelo toque no momento do parto? Sem problemas, pois ela não teve o incomodo toque?
        Mulheres com incontinência útero cervical, uma importante causa de trabalho de parto prematuro e abortamentos tardios de repetição, com altíssimas taxas de mortalidade perinatal, se não examinadas, não terão sua patologia diagnosticada. Aquele médico que “queria ver se você tinha vagina” identificou que, no momento da consulta, seu colo estava totalmente fechado, um bom preditor para o bom andamento da gestação.
        Quanto aos alunos em hospitais escola, você acha que todos os futuros obstetra nascem sabendo? Na minha dedicatória da formatura, agradeci muito as minhas pacientes, que concederam que eu as examinasse e aprendesse com elas a ser uma boa médica, que vai fazer o exame do toque para identificar possíveis complicações e assisti-las durante o trabalho de parto.
        Entendo que você não teve más intenções com seu post, mas, por favor, pare de passar informações sem ter conhecimento médico para tal. Isso pode prejudicar o andamento da gestação e parto de mulheres que acreditarem nas suas palavras.
        Estou a disposição para tirar dúvidas sobre o assunto.
        Isabela Bottura
        belabotura@hotmail.com

      • ISabela, querida. Entendo sua postura e perceba que aqui, nenhuma informação é inventada e sim pesquisada. A partir do momento em que te sentes detentora do saber e superior por ser quase médica, repetes apenas o modelo que desqualifica as mulheres julgando-nas leigas e portanto incapazes de decidir À respeito dos proprios corpos. Gestante idosa? morriiiiiiiiii! PEsquise no site da MElania Amorim, respeitada medica e e pesquisadora que fala com muita propriedade sobre Obstetrícia Baseada em evidências.

    • ESTOU COM 40 SEMANAS E 4 DIAS.A DATA PREVISTA PARA O PARTO FOI NO SABADO PASSADO,JA SAIU O TAMPÃO Á 12 DIAS,ESTOU PERDENDO LIQUIDO,SINTO MUITAS DORES NA BARRIGA,MAS NÃO É DOR DE PARTO,TENHO MUITAS CONTRAÇÕES SEM DOR,ESTOU INDO FAZER ELETROCARDIOTOQUIO A CADA DOIS DIAS,HOJE DE MANHA ESTAVA COM DOIS DE DILATAÇÃO,E A ANSIEDADE ESTA ME MATANDO

      • Não se preocupe com a DPP, Eliane, ela é apenas uma estimativa. MAis da metade das mulheres entram em trabalho de parto após a DPP e isso é perfeitamente normal, afinal, nossos corpos são únicos e diferentes uns dos outros. Tente ver o que falta, o que te deixa mais ansiosa, procura descansar e desligar de outras coisas, se entrega! Essas contrações mais leves são normais, chamam-se pródromos e fazem parte do processo. Algumas sentem mais, outras menos. Espero que tenhas um parto lindo e que tua filha nasça com muita saúde!

  4. Olha, aconteceu comigo também! O meu GO, na época, professor da UNIFESP, todo bambambam, me induziu à cesárea… Fui pra maternidade quando saiu o tampão… talvez não houvesse necessidade… Lá chegando, a enfermeira fez o exame de toque e tirou um sarro, dizendo que ali tinha “uma” querendo trabalho de parto. Entraram em contato com o meu GO, me colocaram no soro… e só no outro dia minha filha nasceu – de cesárea. Nossa como fui ingênua. Agora, estou na segunda gestação, mas as possibilidades de um parto humanizado são mínimas. E não encontrei um obstreta bacana… O do SUS – no posto de saúde é com quem faço o pré-natal. Mas ele não faz o parto pelo convênio. Não é fácil!!! Mas obrigada pelo texto, muito bacana!!!

    • Oi, Rosângela! Obrigada pelo comentário! Então, na cidade onde tu mora não tem casa de parto? Nenhuma Obstetriz legal pela região? Sabe que no primeiro eu viajei 240 km pra ter o parto em um hospital SUS humanizado? Se eu puder te ajudar, encontrar um grupo de apoio por ai, ou uma doula, vai ser um prazer enorme! 😉

  5. Pingback: Violencia obstétrica: aconteceu comigo! | Rádio Cirandeira

    • Bem, o post se refere a gravidezes normais e saudáveis, de baixo risco. Agora, se há suspeita de Insuficiência Ístmo Cervical, até onde me consta, o protocolo é investigar ultrassonograficamente e verificar a espessura do colo, geralmente na morfológica do primeiro trimestre. MAs para haver suspeita a mulher tem que ter histórico de abortos recorrentes… Então, no caso de primigestas, qual seria o sentido de suspeitar de algo que acomete 1% da população em geral se o colo será medido na morfológica do primeiro e segundo trimestre? Aliás, para mulheres sem suspeita de IIC (e primigestas obviamente entram neste grupo) o protocolo é medir na do segundo trimestre (embora saibamos que é medida também na do primeiro).
      E se não há evidências de que a cerclagem seja útil após as 27 semanas, onde o risco do procedimento pode superar os do parto prematuro, qual o sentido de investigar “tatilmente” após essa data?
      Como falo, a vantagem de se conhecer como, porque e quando é feito o exame, é fundamental para que se possa fazer uma escolha consciente. E claro, contar com a assistência de um profissional de confiança também (seja obstetriz, enfermeira ou obstetra).
      Continuo dispensando o toque para os meus pré natais.
      Obrigada pela participação! 😉 Certamente enriqueceu o debate.

  6. moro em uma cidade e faço o pré -natal a uns 130 quilometros de distancia mas a medica GO é otima, sempre pediu muitos exames e nunca fez toque estou na 36 semana mas hoje resolvi ir a outro medico, com medo do parto normal e adivinha só, passei pelo desconforto do toque, o pior é que fui sozinha, não sei se era necessario, sei que foi muito dolorido e constrangedor, fiquei emocionalmente abalada, e chorei a tarde toda, devia ser proibido esse tipo de exame, sem falar que se eu fui atras de um parto cesario era para evitar esse tipo de constrangimento, agora não sei o que fazer.

    • Erika, muitas mulheres relatam essa sensação de vulnerabilidade e de abalo após o exame. É normal, principalmente por estarmos hormonalmente diferentes, mais sensíveis. Continua com a tua médica então. A distância não chega a ser um impedimento, eu sou campeã de escolher médicos distantes, nos dois pré natais escolhi médicos há 250 km da minha casa e agora, no terceiro, continuo com o médico anterior, há 250 km. O que vale é a tua afinidade, confiança e segurança na equipe que te assiste. Realmente, no meu ponto de vista, não faz o mínimo sentido um toque com 36 semanas por que, se tiver dilatação não tem problema pois já pode nascer de parto normal sem maiores complicações. Se não tiver, também não quer dizer nada pois, tecnicamente, ainda tem seis semanas para o bebê resolver nascer.
      Sobre teu medo do parto, todas nós temos medo daquilo que não conhecemos. Primeira vez de tudo dá um medinho. A sensação de segurança que uma cirurgia cesariana passa, na verdade é falsa. Você delega o parto pra outra pessoa, no caso o médico, e se despe da responsabilidade, passando a bola pra ele. E cercada de equipamentos de ultima geração, tem a sensação de estar segura. Só que não é assim que funciona. A verdade é que as evidências demonstram um risco aumentado de morte materna das cesarianas eletivas e também de problemas relacionados ao bebê, principalmente problemas respiratórios. Só quem sabe a hora certa de nascer é teu filho, que está aí dentro, bem feliz, alimentado e quentinho. Quando estiver pronto, ele vai te avisar e esse aviso é o trabalho de parto.
      Procure informações sobre os teus medos. Avalie quais são! É medo da dor? medo de sofrer? Será que na tua cidade ou aí perto não tem nenhum grupo de apoio que possa te ajudar a lidar com esses medos e ter um belo parto? Procure no site da parto do princípio! E se eu puder ajudar, estou à disposição!

      Um abraço!

    • Olá, Vanessa! Qual parte você crê não ter relação com o toque? Sim, sexo é indicado em gestações normais e serve inclusive como uma forma natural de induzir o trabalho de parto, pelas prostaglandinas do semem que auxiliam na dilatação do colo, bem como pelo orgasmo, que libera ocitocina e provoca contrações uterinas. Além do que relaxa, não é? MAs sexo é um momento de prazer e intimidade com o homem que você ama e não uma exposição, uma invasão, um exame incômodo e constrangedor que não se justifica na maioria esmagadora dos casos. Ah! Sobre o sexo, é bom evitar as relações após o rompimento da bolsa, pra minimizar o risco de infecções. 😉

  7. Pingback: Rompimento artificial da bolsa–da série Rotinas do parto normal: o que eles fazem por você que mais atrapalha do que ajuda. | criaminha

  8. estou com 36semanas e 6 dias e com 3 para 4 centimetro de dilatacao, estou com contracoes espasas. Fiquei internada 5 dias . estou em casa, mas amanha vou ao meu medico ver se ele rompe a minha bolsa, nao estou me sentindo bem. Ja e o meu 4 filho de parto niemal. Vc sabe se tem algum problema?

    • Em ter contrações? ou em romperem tua bolsa antes de estar em TP efetivo? Contrações são perfeitamente normais e podem durar dias sim. Tem bastante tempo pra tua filhota nascer ainda. Se os movimentos estão ok, você está bem e não tem nenhuma alteração, não vejo por que antecipar o parto. Sobre rompimento da bolsa, publiquei recentemente. Bjo e boa hora!

  9. Muito esclarecedora a parte sobre a falta de precisão do exame de toque e, portanto, da falta de sentido de ser feito de hora em hora por médicos diferentes. Obrigada!

  10. Exagero, eu fiz um parto natural VBAC… Eu mesmo toquei a cabecinha dela no banho… logo depois a bolsa se rompeu…. Só faltava eu ficar com pulga atrás da orelha.. se fosse assim grávida não podia transar, quantas grávidas entram em trabalho depois da atividade sexual. Isto é normal.. tocar-se é normal… Um homem (ou mulher) “estranho” tocar-te tb é normal. Chega de tabus. Isto é sua vagina, é uma parte do corpo como outra qualquer, que por convenção resolvemos cobrir… Aposto que na hora do parto nem lembrou da “vergonha”

    • Entendo perfeitamente teu ponto de vista, Sabrina. Só não acho justo julgar como exagerado o pudor ou a intimidadde do outro, pois isso é muito particular, certo? Todavia, definitivamente, receber toque de uma turma inteira de residentes é muito mais que um exageiro. E toques excessivos, além de vetores para infecções, são desnescessários e classificados como violência obstétrica. Muitos são feitos com “força” pra “castigar” uma ou outra paciente. Eu, particularmente, nem tinha vergonha para lembrar, pois estava sozinha. E sim, também me toquei pra ver em que altura estava a cabeça no canal de parto, mas eu, minha mão, minhas bactérias, na minha casa. Mas não tenho tabus ou pudor excessivo não, só acho que a mulher precisa ser respeitada em suas escolhas e que não podemos submeter os outros a procedimentos pelas nossas crenças ou pelos nossos valores. Pq aí não é devolver o protagonismo e sim impor uma nova regra. Uma sofisticação de tutela, como dira Ric Jones. 😉

  11. Estou com 37 s e 5d, fui ao ps ontem a noite eo plantonista fez o toque em mim, doeu bastante e hhj estah saindo um corrimento marromclaro, porem estou sohcom 1cm de dilatação, serah qee demora muito pra dilatar?? serah qee vou conseguir ter parto normal??

  12. Semana passada eu estava com suspeita de gravidez, como não consegui consulta com o meu ginecologista numa data próxima, fui ao ginecologista do Pronto Socorro da minha cidade. Além de me fazer sentir uma idiota da forma como falou comigo, ele fez o exame de toque (eu nunca tinha feito esse exame), senti dor, inclusive no dia seguinte. Saí do hospital chorando, me sentindo muito mal, tanto pela forma como ele falou sobre as minhas suspeitas, tanto pelo exame. Não sei se isso é muito radical, nem se em algum caso esse exame é realmente necessário, mas prometi pra mim mesma que NUNCA mais vou permitir que algum médico me faça exame.

  13. O toque na primeira consulta é fundamental para o diagnóstico de um colo curto e que faz suspeitar da patologia incompetência custo cervical….patologia essa que normalmente levará à perdas por volta de 20/25 semanas. O Ultrassom ajuda mas não há nenhum exame que substitua o exame clínico . A pequena cirurgia para correção desse problema tem que ser feita com 13/14 semanas . A gravidade dessas perdas justifica plenamente o exame..
    Só para esclarecer. …Nós médicos nao somos bandidos e nem gostamos de fazer as gestantes sofrerem…simplesmente estudamos 9 anos antes de assumir a obstetricia e portanto conhecemos patologias que talvez 2 anos de aprendizado de prática obstétrica não qualificam uma obstetriz a esse conhecimento. Portanto tenham cautela antes de fazer textos e tentar influenciar as mulheres que leigas podem acreditar em tudo que lhes é dito. Tudo que é feito no exame clínico e ginecológico faz sentido..mas apenas fará sentido pra quem conhece um pouco mais

  14. por favor estou com 37 semanas (e é a minha segunda gestaçao ) e tendo varias contraçoes em horarios irregulares a minha geo nao quis fazer o toque na ultima consulta .estou preocupada meu bb pode nascer mesmo sem o tampao romper? no meu ultimo parto a minha bolsa nao estourou sozinha a medica que teve que estourar e nessa ela pode romper sozinha? meu parto foi normal . posso ganhar sem aquelas dores fortes? estou cheia de duvidas obrigada desde ja

    • Querida, a decisão sobre fazer ou não o exame precisa ser tomada em conjunto com sua médica. Contrações irregulares são características de pródromos e com 37 semanas, não há por que se preocupar. Sobre a bolsa, ela não precisa romper, alguns bebÊs nascem empelicados. A dor varia muito em cada parto. Cada parto é único. Existem metodos não medicamentosos que aliviam muito a sensação dolorosa. Tente ouvir seu corpo e sua dor. Ela serve pra te indicar o caminho.

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