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Rotinas do Parto “normal”– o que eles fazem por você que mais atrapalha do que ajuda

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Depois de um tímido início e um abandono de quase um ano, vou voltar a postar neste espaço. Sei que ainda devo o relato do Nascimento de Vini, mas isso vai ficar pra outro dia. O fato é que uma pessoa muito querida está grávida e cheia de dúvidas. Outras pessoas de quem também gosto muito brevemente irão se aventurar nesse universo surpreendente que é a maternidade e euzinha mesma já estou pensando seriamente em produzir o terceirinho portanto, resolvi publicar uma série de posts esclarecedores e FUNDAMENTAIS para toda grávida que se ARRISCA em dizer que quer um parto normal hoje, 2013, no Brasil.

Pra escolher o que queremos, precisamos conhecer exatamente quais nossas opções, certo? E o hit do momento é o tal parto humanizado. MAs o que é um parto humanizado afinal? Primeiro, vamos nos situar e esclarecer o que é um PARTO NORMAL, que de normal, minha filha, não tem NADA. Papo de cesarista? nããããão… calma que tudo se explicará.

O chamado parto NORMAL oferecido (nem tanto) pela maioria dos hospitais e profissionais é na verdade, uma série de procedimentos MÉDICOS que culminará com a extração vaginal de um feto, que passará a se denominar neonato. Você sabe que procedimentos são esses e para que ele servem (se é que servem para alguma coisa)? Como não sabe?! Você PRECISA SABER pois certamente é o que farão com VOCÊ, com o SEU CORPO, com o SEU FILHO.

Como a lista é grande, acredito que cada procedimento mereça um post específico. Então segue a lista dos procedimentos “de rotina” (que são feitos em todas as parturientes que chegam ao hospital, sendo ou não necessários).

  • Tricotomia (raspagem dos pelos)
  • Enema (lavagem intestinal)
  • ISolar a mulher, impedindo-na de ter o acompanhante que escolher (isso é lei, minha gente, desde 2006)
  • Exames de toque sucessivos, muitas vezes por mais que um examinador
  • Monitorização fetal contínua
  • Sorinho (com ou sem pitocina)
  • Jejum, de água e comida (fala sério, tortura da braba)
  • Imobilização, seja durante o trabalho de parto, seja na hora do expulsivo
  • Rompimento artificial da bolsa
  • Anestesia
  • Força conduzida
  • Posição de litotomia (frango assado, posição ginecológica, muitas vezes até com as pernas AMARRADAS nas perneiras)
  • Manobra de Kristeller
  • Episiotomia (aaaaaai! o pique! uma mutilação vaginal sem função que já teve sua necessidade derrubada em 1985 e até hoje fazem em TODAS – ou quase todas, e o pior, sem pedir autorização, simplesmente cortam. Isso é crime! é lesão corporal!)
  • puxar o bebê pra fora depois que a cabeça sai
  • Clampeamento imediato do cordão

A partir daí, a gente separa os procedimentos em duas linhas: procedimentos pós parto imediato que a mãe sofre e os procedimentos ao qual vão submeter o pobre recém nascido.

Com a mãe Com o bebê
Tração do cordão umbilical Tapa ou esfregões para chorar
Massagem uterina Aspiração das vias aéreas
Toque retal Sonda oral e anal
Injeção de ocitocina (se já não estiver tomando no soro, of course) Colírio (credê)
Episiorrafia (se sofreu episiotomia ou se houve laceração) Injeção de Vitamina K
medir
pesar
banhar
levar para berço aquecido, berçário ou qualquer forma de privação da companhia materna sem motivo que justifique
Soro glicosado ou mamadeira com suplemento

Por hora, é o que lembro. Deixando claro que alguns dos procedimentos podem até ser úteis em casos específicos, o que não justifica que sejam utilizados em TODOS os casos. Outros da listinha aí de cima, minha amiga, são comprovadamente PREJUDICIAIS à saúde da mãe e/ou do bebê e ao bom andamento do parto. Então vou pela ordem e vou tentar publicar o quanto antes, por que, acredite em mim: Nove meses é muito pouco para desconstruir e reconstruir tudo o que você conhecia ou achava conhecer sobre parto e nascimento humano.