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A Difamação do parto

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Olá, querid@s! Este vídeo foi criado para uma disciplina na minha faculdade no semestre retrasado, mas hoje decidi compartilhar. Espero que gostem e que seja útil.

Rompimento artificial da bolsa–da série Rotinas do parto “normal”: o que eles fazem por você que mais atrapalha do que ajuda.

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Sim, eu sei. Eu sumi. Mas meu ultimo semestre foi bem agitado. Mas lembro do blog todos os dias. Eu já estou de 23 semanas do terceirinho, quem vem é o Felipe. E quando o projeto Rotinas do Parto Normal começou ele era apenas vaga idéia! A boa notícia é que, a pessoa que me inspirou a começar essa série deu à luz uma linda menina, de parto natural, no hospital divina Providência em Porto Alegre! Parto lindo, sem lacerações e o principal, ela adorou!

 

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Fonte: http://bebeatual.com/artimg/saco_amniotico.jpg

 

Conforme as Recomendações da OMS para atendimento ao parto natural, o uso rotineiro de amniotomia precoce durante o início do TP está no grupo C – Condutas frequentemente utilizadas de forma inapropriadas.

Eu pensei em começar com uma descrição detalhada da bolsa amniótica e suas funções. Mas achei este post da Adele Doula que é super esclarecedor e tem ótima imagens! Então vou manter o foco no intervenção em si, no rompimento artificial da Bolsa. Leia com atenção. E note, bolsa é uma anexo embrionário distinto de placenta. O bebê fica dentro da bolsa. Ela contém o líquido amniótico. A placenta liga o bebê ao útero. O bebê não está dentro da placenta. Ele fica na outra extremidade do cordão umbilical.

Primeiro vamos recordar que, no imaginário popular, os partos começam com uma enxurrada da bolsa rompendo. Na verdade, não é exatamente assim. A maioria das mulheres entra em trabalho de parto sem que a bolsa se rompa. Esta irá romper-se durante o TP, à medida que o colo dilata. Outras teram o rompimento da bolsa e não sentirão contrações (essa, aliás, é uma desculpinha esfarrapada pra cesárea). Mas a maioria entrará em TP nas horas seguintes. Outro extremo é quando a bolsa não rompe e o bebê nasce dentro da bolsinha, empelicado. Era sinal de sorte isso, no tempo das nossas bisavós.

Ai eu pergunto… se nasce na bolsa, pra que romper? Beeeeem, há quem diga que romper a bolsa abrevia a duração do trabalho de parto. Há quem diga que as contrações ficam mais intensas. Mas, pra que abreviar o trabalho de parto, se estiver tudo bem (além de desocupar o leito para a próxima, por que a fila anda…)?

Poderiam romper para constatar a presença de mecônio, mas existem instrumentos que permitem esta observação com a bolsa intacta. Ademais, se os batimentos cardiacos fetais estiverem bem, pra que espiar se tem ou não mecônio, já que o problema da presença de mecônio seria justamente um quadro de hipóxia fetal, que seria caracterizado prioritariamente pelas alterações nos batimentos?

Porém, como é quase impossível que em um atendimento convencional a equipe esteja ali e não faca nada, romper a bolsa é uma das intervenções favoritas. Ok, e qual o problema em romper, se ela romperia naturalmente (ou não ) durante o TP?

Uma das principais funções da bolsa é impedir a entrada de microorganismos patogênicos no ambiente uterino, evitar que estes tenham contato com o bebê. Uma vez rompida, o bebê ficaria mais suscetível (assim, ficam ainda menos recomendados os exames de toque e, caso sejam executados, muito cuidado com a higiene para não servir como vetor). A outra é absorção de impacto. Assim, há quem diga que sentiu mais intensamente os movimentos do bebê e as contrações após o rompimento (no meu caso, não acho que tenha mudado muito, não lembro de doerem mais por isso, mas também a bolsa rompeu já no expulsivo, quando as contrações não costumam mais ser dolorosas). Além de tudo, o líquido ajuda a evitar a compressão do crodão entre o corpo do bebê e as paredes uterinas, diminuindo a chance de alterações dos batimentos cardíacos fetais. Mas o principal perigo é de ocorrer o temido prolapso de cordão. E este perigo é maior quando o bebê está “alto”.

Bem, esta é uma das verdadeiras emergências obstétricas, uma das poucas indicações verdadeiras para cesariana. Ocorre quando uma alça do cordão umbilical sai do útero, entrando no canal vaginal antes do bebê. É extremamente complicado por que se a cabeça do bebê entrar também, vai comprimir essa alça de cordão e cortar o fluxo sanguíneo que nutre e oxigena o feto. No blog da Obstetra Melânia você encontra mais informações sobre como este procedimento é feito de maneira errada e sem indicação.

O procedimento em si é indolor e é utilizado um instrumento comprido com um ganchinho na ponta para proceder o furinho. No meu primeiro parto, quando minhas contrações pararam, eu pedi que o médico rompesse minha bolsa. Mal sabia eu que era apenas o momento em que meu corpo estava se recuperando, resgatando energias para o expulsivo. Deu tudo certo, não tivemos problemas, mas depois eu fiquei pensando na necessidade daquilo. Pra que romper a bolsa? No segundo ela rompeu sozinha, já no auge do TP.

Tá, Cynara… Mas e quando a bolsa rompe antes, é o que costumam chamar de parto seco? Então… Na verdade parto seco não existe. Porque o líquido amniótico continua sendo produzido (aliás, boa parte desse líquido é composta pela urina do próprio feto).

Era isso. Espero ter ajudado. Você pode incluir essa questão do rompimento das membranas amnióticas no seu plano de parto e conversar sobre isso com sua equipe, para deixar claro quais são as circunstâncias em que eles costumam fazer e em quais delas você aceitaria o procedimento (ou não).

“Não existe evidência de que a amniotomia praticada durante o trabalho de parto esteja relacionada à abreviação do período de dilatação. Embora alguns estudos observem redução da duração do trabalho de parto, outros, de semelhante força de evidência, não observam tais achados.”

http://www.projetodiretrizes.org.br/ans/diretrizes/assistencia_ao_trabalho_de_parto.pdf

Imobilização: da série Rotinas do parto “normal”: o que eles fazem por você que mais atrapalha do que ajuda

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fotos-de-parto-normal

Olá, gente! Vamos continuar nossa série sobre rotinas hospitalares do parto Normal? O próximo item da lista é a restrição de movimentos que ocorre na maior parte dos hospitais. Os motivos alegados são muitos, desde falta de espaço, privacidade da parturiente no leito ao lado, até necessidade de ficar parada por causa de exames ou aparelhos. Em alguns hospitais, não há restrição específica sobre a deambulação durante o trabalho de parto (fora a cara feia das enfermeiras achando que você está atrapalhando ali no meio do corredor). Porém, na hora do expulsivo, a mulher é conduzida para a sala de parto e lá é colocada deitada, de costas, com as pernas em perneiras, muitas vezes amarradas. Vamos falar sobre os problemas da imobilização em ambos os casos e das vantagens de estar em movimento ou com liberdade para escolher a melhor posição (calma, não significa ficar na esteira o trabalho de parto inteiro, rsrs).

caminhando para o parto normal

Dilatação e gravidade: o caminho é para baixo!

Como o colo do útero dilata? Na verdade ele dilata através de uma tração das bordas do colo, promovida pelo encurtamento das fibras da parede do útero, além do estímulo mecânico da cabeça do bebê, empurrada contra o colo pelo fundo uterino. Existe uma força amiga, natural e incrível chamada força da gravidade. Ela puxa os corpos para baixo. Se você está em posição verticalizada (de pé, sentada, acocorada, de joelhos) o caminho do bebê é exatamente este, para baixo. Assim, além da força das contrações, ganhamos uma aliada, a universal força da gravidade! Consequentemente, a força resultante sobre o colo é maior logo, é de se esperar e compreender que a dilatação ocorra mais rápido. E deitada? Deitada ela empurra teu bebê na direção das tuas costas. Opa! Caminho errado!

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Não só errado como perigoso. Por trás do útero passam os grandes vasos que trazem o aporte sanguíneo para a placenta. É por estes grandes vasos que o oxigênio vem para o bebê no útero. Ao deitar, a gravidade empurra o peso do bebê e do útero sobre esses vasos, causando uma compressão dos mesmos, o que irá reduzir o fluxo sanguíneo.

Menos sangue = menos oxigênio para o bebê = variações nos batimentos cardíacos = sofrimento fetal

Daí decorrem diversas complicações, novamente fabricadas, nesse caso, pela posição nada inteligente que é ficar deitada: dilatação mais lenta, coloca ocitocina! Ocitocina sintética intensifica as contrações, reduz a oxigenação, como já conversamos no post sobre o sorinho. Mas o sorinho também altera os batimentos cardíacos fetais! E o peso do útero nos grandes vasos também! Coloca no Cardiotocógrafo pra monitorar e assim a mulher vai ficando cada vez mais imobilizada e soterrada por equipamentos para monitorar e corrigir o que a própria imobilização causou. Além de tudo, pelos relatos e pela minha experiência, a posição mais incômoda para se ficar em trabalho de parto é justamente deitada! Além de doer mais (muito, muito mais para mim, beirando o insuportável, ao passo que em posições verticais era completamente aceitável), o volume e peso uterinos comprimem o diafragma, músculo responsável pela respiração, o que pode causar falta de ar, tontura e ah! Claro! Falta de oxigenação para o bebê, que respira, afinal, graças aos pulmões da mãe.

SE eles conseguirem chegar ao período expulsivo sob essas condições, antes de um diagnóstico de sofrimento fetal agudo (ou melhor, batimentos cardíacos fetais não tranquilizadores) e indicação de cesariana, vamos para o próximo item.

A expulsão: para baixo e além!

Chegou a hora de expulsivo. O bebê vai nascer. Talvez vocÊs tenham superado todas as adversidades citadas acima (a natureza é realmente incrível e consegue se superar mesmo com tanta gente atrapalhando, não é mesmo?). Você sabe tudo o que acontece com os ossos do quadril, a movimentação da cabeça do bebê, todo o incrível mecanismo que tem dado tão certo ao longo de mais de 10000 anos de história humana na terra?

perceba como é um movimento natural, a favor da gravidade   X   Note com de C para D o bebÊ precisa subir, movendo-se contra a gravidade

Ao término da dilatação, vagina e útero formal um túnel contínuo. A cabeça do bebê e seus ossinhos móveis e flexíveis (graças às moleirinhas ou fontanelas) vem descendo, de ladinho, mergulhando na bacia da mãe. Aí ele vai girando e se arrumando de forma que a nuca do bebê vai se encaixar no ossinho do púbis da mãe, aquele ossinho que fica bem ali sob os pelos pubianos. Justamente ali o canal vaginal faz uma curvinha para frente. Na parte de trás do quadril estã o sacro e o cóccix, que compõe o finalzinho da nossa coluna vertebral e também se curvam pra frente. Habitualmente, esses ossos são fixos, imóveis, não são articuláveis, assim como a sínfise púbica, que é a parte central do ossinho da frente. MAs na gestação, sob ação de um hormônio chamado relaxina, essas articulações adquirem mobilidade! Não é genial? Quando o bebê, com a nuca encaixada no púbis flexiona a cabecinha para trás, usa esse ossinho como apoio para uma alavanca que o vai empurrar para fora! Ao mesmo tempo, para facilitar a passagem dele, o cóccix se flexiona para trás! Simples assim: www.youtube.com/watch?v=bHIIxpw3tzY Então olha só, quanta coisa envolvida pra ajudar o bebê a sair:

  1. A alavanca da nuca do bebê x púbis materno
  2. A flexão do cóccix para trás
  3. A contração do útero
  4. A força da gravidade

Estudos radiológicos do início do século passado demonstraram que há um aumento de 20% no tamamanho do vão central da bacia da mulher quando esta está de cócoras. Mas, a despeito de tudo o que a natureza trabalhou para desenvolver, a parturiente entra na sala de parto e a deitam de costas. Pra completar o desconforto, colocam as pernas dela para cima e muitas vezes, amarram. Essa posição impede que muita coisa aconteça. Impede que ocorra a flexão do cóccix, impede que haja ajuda da gravidade (e de fato, nesta posição ela atrapalha pois além de promover a compressão dos grandes vasos que citamos antes, vai ser uma força a mais para o bebê vencer pois o canal vaginal, projetado para frente, nessa posição fica para cima, fazendo com que o bebê tenha que subir para depois sair!), impede que a mulher veja, toque, ampare, pegue seu filho ao nascer, promove maior pressão contra a parte posterior do períneo (ao invés de distribuí-la uniformemente por todo o assoalho pélvico) favorecendo lacerações. Então. POR QUE DEITAM A MULHER AFINAL?

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Ué, gente, pra facilitar o trabalho do médico. Assim, deitadinha, perninhas amarradas bem abertinhas, é muito mais fácil pra ele, o médico, o protagonista, o cara que FAZ o parto, ficar confortavelmente sentadinho em um banquinho assistindo de camarote o milagre da vida acontecer APESAR de tudo o que fazem para atrapalhar. E não só isso. Como é ele quem FAZ, precisa ajudar o evento, superando as dificuldades CRIADAS através de intervenções invasivas, violentas e na maior parte das vezes, desnecessárias. Pra ajudar o útero a empurrar o bebê, a barriga da mulher é pressionada em uma manobra perigosa e violenta chamada Kristeller, enquanto a equipe em coro ordena aos gritos que a mulher faça força (afinal, é só isso o que precisa fazer e nem isso faz direito). Para tirar logo o bebê do canal vaginal assassino, pois ele está com pouca oxigenação, usam o fórceps. Para PROTEJER o períneo sobrecarregado pela pressão da ocitocina, da posição inadequada, da força conduzida e do kristeller, CORTAM a vagina de TODAS as mulheres que parem por suas mãos. Depois concertam os estragos, costurando direitinho e se for bem machista, ainda vai fazer uma piadinha sem graça sobre um pontinho a mais para garantir que o playgroud do maridinho volte pra casa novinho em folha. Ufa! Parto feito, missão cumprida.

E na maca, uma mulher jaz em pedaços, violada, violentada, ferida. MAs o prêmio está em seus braços. Seu bebê é saudável, portanto, “pare de reclamar e fique feliz. E agradeça ao doutor, que salvou sua vida e a de seu bebê. O que seria de vocês sem ele?”. Assim elas se calam e abafam a dor, sem serem compreendidas, sem que o mundo perceba que ela teve seu momento roubado.

A OMS recomenda que se estimule a livre movimentação durante o trabalho de parto e durante o período expulsivo. E classifica a posição de litotomia de rotina como ineficaz, prejudicial e que deveria ser eliminada. Afinal, por que continuamos permitindo que nos deitem?

Jejum–da série rotinas do parto “normal”: o que eles fazem por você que mais atrapalha do que ajuda

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Continuando nossa série sobre as intervenções no parto normal, vamos falar do famoso jejum. A justificativa para eles é simples: em caso de emergência, se você precisar ser anestesiada, deve estar com o estômago vazio. Isso por que um dos efeitos colaterais da anestesia seria o risco de vomitar e aí, teria o risco de aspirar esse conteúdo e se asfixiar.

Ok. Agora vamos aos fatos. De acordo com alguns autores, a chance de uma mulher morrer asfixiada por não ter feito jejum durante o parto é de uma em SETENTA MILHÕES! É o mesmo risco de ser atingido por um raio DUAS vezes no mesmo ano.

Pra se ter idéia do quão insignificante é o risco, a chance de morrer em um acidente de automóvel é de 1 em 85. Já a chance de morrer em um acidente de avião é de 1 em 5.862.

Qualquer atleta amador sabe que é preciso manter-se hidratado durante o exercício e ingerir alimentos leves, que te dêem energia para completar a atividade com sucesso. No parto não é diferente. Parir demanda esforço físico e consome energia! Sentimos sede e é importante manter-se hidratada.

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Ficar sem comer pode provocar hipoglicemia, tonturas, dor de cabeça, náuseas, enfim, um mal estar generalizado. Não quer dizer que você, no auge do seu trabalho de parto, queira bater uma feijoada. Não é isso e de fato, muitas mulheres nem sentem fome, muitas vomitam no início do trabalho de parto, esvaziando o estômago. MAs escolher alimentos inteligentes, que te tragam energia em pequenas porções, como o mel, um pedacinho de chocolate, um pouco de fruta, um gole de suco. E água então, é fundamental! Água, isotônico, água de côco, chá. Manter-se hidratada trás bem estar e garante que tudo continue funcionando em plenitude, líquido é fundamental. No meu primeiro parto, hospitalar, me deram água bem limitadamente. Lembro que eu sentia taaaaaaaaanta sede! A boca pastosa, seca, é horrível! Já no segundo meu marido me oferecia suco e água com frequencia e eu tomava um golinho aqui, outro ali. Não chegou a dar meio copo de suco no total. Mas me trouxe bem estar e satisfação! E isso é muito importante, é um momento de superação e somar coisas que te façam bem, que te tragam alegria e prazer, como um gole de suco saboroso, pode contribuir muito pro teu estado geral.

A OMS não recomenta o privação de líquidos e alimentos rotineiramente e classifica a oferta de líquidos durante o trabalho de parto como uma conduta positiva e que deve ser estimulada. Parto não é tortura, gente. Ficar sem água é!

 

Fotos tiradas da pesquisa de imagens do Google. A imagem é sua? Fala comigo que retiro, ok?

 

http://www.amigasdoparto.com.br/oms.html

http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u723412.shtml

http://ultimosegundo.ig.com.br/desastresaereos/chances+de+morrer+em+acidente+de+aviao+sao+pequenas/n1237721020708.html

http://www.fundacaoportuguesadopulmao.org/pneumonias.html

Sorinho– Da série Rotinas do parto “normal”: o que eles fazem por você que mais atrapalha do que ajuda.

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Se tem um ingrediente que não pode faltar na receita de uma cesária de emergência ou de um parto beeeeeem Frank, é este: o Sorinho. Quando alguém sentar do teu lado, amiga gestante, e começar a contar como foi horrível o parto, como doía, como foi diagnosticado um sofrimento fetal e foi necessária uma cesária de emergência, pergunte: e te deram sorinho? A resposta vai ser sim.

Sim, mas não dão pra todas? Dão! E este é o problema! Entrou no hospital com contrações, lá vem a enfermeira com a bandejinha, a agulha e o sorinho. Além dos problemas óbvios relacionados à falta de mobilidade por estar presa ao tal soro, o mais escabroso está por vir.

Naquele soro tem uma versão sintética da ocitocina, um hormônio que os mamíferos produzem na hora do parto (e em outros momentos da vida também) e que, no caso das mulheres, faz com que o útero se contraia. Isso assim, resumidamente pois, na realidade, é toda uma cascata hormonal finamente equilibrada que está envolvida no parto. Só que o hormônio sintético faz apenas isso: contrái o útero. As demais funções da ocitocina natural não são cumpridas pela sintética. Então, vamos conversar sobre tudo o que você e o bebê perdem ao receber a ocitocina sintética para acelelar o trabalho de parto (sim, acelerar, pois a fila tem que andar, você precisa desocupar o leito logo pra próxima parturiente).

Em condições fisiológicas, a ocitocina endógena (produzida pela mulher) vai produzir contrações suportáveis, tanto para a mãe quanto para o bebê. Suportáveis em intensidade, duração e intervalos. Quando a ocitocina sintética chega pra acelerar o processo, aumenta a força da contração, o que significa mais intensidade dolorosa. Ela também aumenta a duração da contração ou seja, mais dor, por mais tempo. Como se não bastasse, ela diminui o intervalo entre as contrações, que seria o tempo que você teria para se reestabelecer e se preparar entre uma e outra contração.  Ao entrar em sua corrente sanguínea em excesso, ela satura os receptores do útero que, para se proteger contra uma super contração, desativa parte dos receptores de ocitocina. Então, após o parto, quando esses receptores seriam necessários para a rápida contração uterina que evitaria a hemorragia, eles estão desativados. Assim, você tem mais chances de sofrer uma hemorragia pós parto graças a ocitocina sintética que te deram pra “ajudar” no parto. Ela também tem uma importante função comportamental. É conhecida como o hormônio do amor. Ela prepara a mãe e o bebê para o grande encontro. MAs a ocitocina sintética não produz os efeitos comportamentais esperados.

Enquanto isso, quietinho no útero, está o bebê, que vinha curtindo o trabalho de parto até então calmo e perfeitamente suportável. A ocitocina endógena tem a capacidade de ultrapassar a barreira placentária e inunda o cérebro do bebê. Lá, além do resultado comportamental, que seria de preparar o bebê para o imprinting (momento em que conhece ou deveria conhecer o rosto da mãe, com o cérebro cheio de ocitocina e sentir prazer e amor), a ocitocina teria uma função protetiva. Ela protegeria os neurônios, os mantendo em um estado de stand by, uma espécie de transe, onde o consumo de oxigênio seria muito reduzido, estanto portanto, preparado para os períodos de hipóxia previstos no parto, para os períodos com menos oxigênio. Sem a ocitocina, quem protege esses neurônios?

Durante as contrações, o músculo uterino se aperta e a contração das fibras uterinas reduz bruscamente o fluxo sanguíneo para a placenta. Quando a contração cessa, a placenta se reabastece de sangue oxigenado, se preparando para manter o bebê bem durante a próxima contração. Ao adicionarmos a ocitocina sintética, o útero contrái muito mais, reduzindo mais ainda esse fluxo. E fica assim por muito mais tempo. E o intervalo para se reestabelecer é muito menor. É como não conseguir emergir em um mar tempestuoso. Você precisa respirar mas as ondas se sobrepõe e te impedem de sorver o ar. É exatamente isso que o bebê sente.

E aí vem o diagnóstico: sofrimento fetal. Preciso dizer que foi fabricado? Será que ninguém vê? Estamos submetendo mães e bebês a uma situação de risco assim, deliberadamente, por que é “rotina”.

Se eu produzo ocitocina, por que injetam uma coisa sintética similar, mas muito inferior, em minhas veias?

Para produzir Ocitocina, certas condições são necessárias. É preciso ocorrer o que se chama de apagamento cortical, que seria a desativação da parte cerebral responsável pela consciencia e raciocinio, deixando que o cérebro primitivo trabalhe. Mas para isso, é preciso que haja pouca luz, temperatura agradável, silêncio, carinho, respeito, amor, entrega, confiança. Tudo o que não tem em um hospital.

A preocupação vai além. O obstetra francês Michel Odent condena duramente o uso de ocitocina sintética e fala que teme sim pelo futuro da humanidade, um futuro feito por pessoas que ou não tiveram contato com a ocitocina no nascimento por terem sido extraídos antes de sequer entrarem em trabalho de parto ou por pessoas que foram privadas da ocitocina endógena por terem nascido de partos induzidos com ocitocina sintética. Questiona-se o resultado dessa privação, na futura capacidade dessas pessoas de sentir prazer e de amar.

Eu também tenho medo.

 

Para saber mais:

A Cientificação do Amor – Michel Odent

http://guiadobebe.uol.com.br/sistema-hormonal-do-parto/

www.youtube.com/watch?v=rBnHkoRN6kE

http://vilamamifera.com/mamiferas/ocitocina-sintetica-x-ocitocina-natural/

http://www.artigos.etc.br/consequencias-causadas-pela-aplicacao-de-ocitocina-na-inducao-de-partos.html

Monitorização Fetal Contínua – da série Rotinas do Parto “normal”: o que eles fazem por você que mais atrapalha do que ajuda

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Monitorização Fetal Contínua – da série Rotinas do Parto “normal”: o que eles fazem por você que mais atrapalha do que ajuda

Cotinuando nossa série sobre as Rotinas do Parto NORMAL, vamos falar da monitorização fetal contínua. Também chamada de Cardiotocografia, é um exame no qual uma cinta com eletrodos é colocada na barriga da gestante e ligada a um aparelho, que fica monitorando continuamente os batimentos cardíacos do bebê e as contrações do útero. Até aí, tudo bem, parece inofensivo, tirando o pi pi pi irritante e constante e tudo o que a sua imaginação pode fazer por você ao ouvir um ritmo diferente do que aquele que você imagina ser o ideal e claro, o pequeno detalhe de que a cardiotocografia Cópia de Exame de Cardiotocografiaestá relacionada a 40% de falsos-positivos” e, como se não bastasse, o tamanho do trombolho que é o aparelho. Ou seja, não condiz muito com a imagem que eu tenho de um parto ativo. Como você vai deambular, se mexer, ir ao banheiro, entrar no chuveiro, usar a bola ou quem sabe até entrar em uma banheira com um monte de fios conectados a um aparelho super hightech que nem é à prova d’água? Smiley mostrando a língua

Não vai, querida. Com um cardiotocógrafo do seu ladinho, você vai ter que ficar quietinha, deitadinha, só esperando. E isso é muito ruim por si só, concorda? Pra muitas mulheres, o simples fato de estar deitada já faz com que as contrações saiam do patamar suportável. Ficar deitada também é ruim, por que se o que dilata o colo do útero é a pressão da cabeça do bebê, a gravidade pode ser uma super aliada nessas horas e abreviar bastante a duração do trabalho de parto. Além disso, ficar deitada faz com que o peso do útero recaia sobre os grandes vasos que passam por trás dele e comprimir esses vazos. Isso pode reduzir o fluxo de sangue para o bebê, de forma que a posição em que te colocam para fazer o exame pode ser a responsável por causar justamente o que ele gostaria de prevenir: a freqüencia cardiaca fetal não tranquilizadora ou o famoso “sofrimento fetal”.

Daí a mulher está deitada, sente mais dor, o TP não evolui: manda um soro com ocitocina pra corrigir a dinâmica uterina (se já não estava com)! Mais uns caninhos e outro trombolhinho pra carregar ou melhor, outra desculpinha pra te deixarem quietinha. Aí vai, mais dor, contrações mais intensas: ANESTESIA, por favor! Se tiver! se não tiver: socorro! me operem logo! Tensão, medo, dor e compressão dos vasos mais a ocitocina, que também aumenta o risco de redução do fluxo sanguíneo para o feto e bingo! BCF alterado. “Mãezinha, seu bebê está em sofrimento, vamos ter que operar”. Visualizou? Assim se fabrica uma cesárea. É um pacote! Ás vezes, só mudar de posição reestabeleceria uma frequência cardiaca fetal normal.

Mas e aí, como monitorar o bebê? Um velho estetoscópio de pinard ou um portátil sonar doppler resolvem esse dilema. A auscuta intermitente do feto ainda é considerada a melhor forma de acompanhar a vitalidade fetal durante o trabalho de parto de uma gestande DE BAIXO RISCO. Até por que os batimentos cardíacos fetais costumam oscilar, reduzindo durante a contração e voltando ao normal depois dela. Mas pra quem está ouvindo, ouvir o pi pi pi do cardiotocógrafo desacelerando, nossa, deve ser apavorante. Empata qualquer parto.

Só que é um, aparelho caro e está lá no hospital, precisa ser usado para se pagar, mesmo que seja TOTALMENTE DISPENSÁVEL como exame de rotina em gestantes de baixo risco. Então, abre o olho! Até por que se o seu obstetra usa este método de rotina, ele já não deve ser muito adepto ao parto natural. A seguir, um trecho de um artigo que achei na web, muito interessante, por sinal. Os grifos são meus.

“Com a introdução da monitorização eletrônica fetal na avaliação do bem estar fetal, muitos obstetras foram induzidos a acreditar no seu benefício em reduzir a morbimortalidade perinatal, o que não foi evidenciado em ensaios clínicos randomizados. Entretanto, apesar as limitações e problemas com a cardiotocografia contínua, esta ainda é bastante utilizada em alguns centros do mundo, principalmente nos Estados Unidos da América. Esforços recentes têm sido realizados no sentido de desenvolver métodos mais acurados para aperfeiçoar a vigilância fetal intraparto. Dentre os métodos expostos nessa revisão, o exame ideal, isolado ou associado a cardiotocografia, para o diagnóstico correto de sofrimento fetal, deverá melhorar os resultados perinatais sem aumentar a incidência de cesarianas. No Instituto Materno Infantil Prof. Fernando Figueira utiliza-se a auscultação intermitente da freqüência cardíaca fetal como padrão-ouro para avaliação do bem estar fetal durante o trabalho de parto. A utilização da cardiotocografia contínua fica reservada para as gestações de altorisco para desenvolver sofrimento fetal, ou ainda na presença de alterações da freqüência cardíaca fetal pela auscultação com o sonar Doppler. Ressalta-se que os obstetras que utilizam tecnologias mais sofisticadas (monitoramento eletrônico contínuo, por cardiotocografia ou outro método) com essa finalidade devem conhecer em detalhes a fisiologia fetal e as limitações e imprecisões de cada método, para que não indiquem cesarianas desnecessárias. Evidentemente, o treinamento para adequada avaliação do bem-estar fetal intraparto deve fazer parte do treinamento obstétrico, e estudos recentes sugerem a necessidade de aumentar a capacidade dos profissionais neste sentido, com ênfase no treinamento e melhora de suas habilidades. Da mesma forma, os pais devem ser esclarecidos sobre o método de monitoração a ser utilizado, evitando uma falsa sensação de segurança, visto que a utilização de qualquer teste não garante em 100% a não-ocorrência de hipoxia fetal.”  (http://www.actamedicaportuguesa.com/pdf/2008-21/3/229-240.pdf)

A OMS a classifica como Condutas freqüentemente utilizadas de modo inadequado.

Um beijo e não se deixe enganar!

Toque– da série Rotinas do Parto “Normal”: o que eles fazem por você que mais atrapalha do que ajuda.

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Toque– da série Rotinas do Parto “Normal”: o que eles fazem por você que mais atrapalha do que ajuda.

 

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Esse é de praxe. E nem precisa estar em trabalho de parto! Basta estar grávida. Tem médico que faz toque em toda santa consulta do pré-natal. Gente, outro procedimentozinho desagradável e, na maior parte das vezes, dispensável. E como todo procedimento dispensável, pode sim atrapalhar e mais que isso! Pode até ser um vetor de bactérias, fungos e vírus, principalmente durante o trabalho de parto e com a bolsa rota (depois que rompe a bolsa de água).

Pra que serve?

O Exame de toque serve para avaliar a condição do colo do útero da gestante/parturiente através da textura, posicionamento e dilatação do colo, por que pro bebê nascer, o colo precisa dilatar. Assim, através do toque, se pode avaliar o andamento do trabalho de parto, se está de acordo com o desejado ou se é necessário intervir de alguma forma. A OMS sugere que sejam feitos periodicamente (aproximadamente a cada duas horas), para adequado preenchimento do partograma, que é um gráfico, uma ferramenta, que permite analisar a evolução do trabalho de parto e, em conjunto com os demais sintomas e características observadas pela equipe, ajuda a decidir se e quando é hora de intervir (não signfica fazer uma cesária necessariamente, mas quem sabe sugerir uma outra posição, uma caminhada, uma massagem ou até mesmo uma alternativa medicamentosa, como o uso de ocitocina sintética ou até analgesia).

Como funciona?

O examinador introduz DOIS dedos na vagina da gestante/parturiente e toca o colo, que fica lá dentro, lá no fundo. Ele pressiona (supostamente de leve) para verificar se está macio ou firme, tateia para identificar a posição e pela distância da abertura dos dedos, ESTIMA o quão dilatado está. Ou seja, ninguém mede com exatidão, não há um instrumento específico para medição e também não são introduzidos DEZ dedos para dizer que está com oito, nove ou dez dedos de dilatação. Em geral, o colo fica com aproximadamente 10 centímetros quando a dilatação está completa. Mas isso é uma aproximação, uma média. O ideal é pensar nestes valores como porcentagens onde 1 é 10% e 10 é 100%. Então quando um colo tem 6 cm de dilatação, significa que está 60% dilatado. E sendo uma medida subjetiva, também varia de examinador para examinador. O que é 7 pra mim pode ser 6 pra ti ou seja… Não é o valor em si que importa e sim o fato de ter aumentado a dilatação ou não. Por isso não há sentido em ser feito por mais de um examinador.

Tá, mas qual o problema afinal?

Vamos começar pelo exame de toque no pré natal. Você, uma gestante saudável, grávida de oito semanas, vai no GO e ele fala que vai fazer exame de toque. Me diga: PRA QUÊ? Você está em TP? Teve sangramento recente? Algo que justifique tal conduta? Não. Você está perfeita e radiante. Ai faz um exame que por si já é desagradável, pois, piadinhas à parte, é sim, chato e incômodo ter um estranho introduzindo dois dedos na sua vagina, por mais que procure relaxar e olhe pro teto pensando amenidades, é CHATO, DESAGRADÁVEL E CONSTRANGEDOR. Dependendo da experiência e da delicadeza do examinador e da sua capacidade de relaxar nessas condições, é um exame que pode doer sim. Pra completar, a estimulação mecânica do colo pode causar um leve sangramento e até cólicas (meus dois filhos nasceram após exames de toque). Preciso falar que cólicas e sangramento são um pacote pânico perfeito pra qualquer grávida? E a troco de quê? De nada, por curiosidade, pra dizer que fez. (leia a complementação abaixo).

“Ah, mas no fim da gestação é bom fazer, pra ver se tem dilatação”. Tá. Pode espiar se está curiosa e estando ciente de que pode te dar cólicas e sangramento, então, sem pânico. Mas não ter dilatação com 38 semanas NÃO QUER DIZER NADA! Aliás, não ter dilatação com 40 semanas também não quer dizer nada. Você precisa dilatar DURANTE o parto e não antes dele.

Agora, durante o TP: ao chegar na maternidade, casa de parto ou quando a equipe chegar em sua casa provalmente farão um toque. Geralmente não é considerado parto ativo se você não tiver mais que 3 ou 4 cm de dilatação. A conduta, neste caso DEVERIA se expectante ou seja, vamos esperar e ver no que dá, por que pode ser alarme falso, pode parar e recomeçar dali a 3 dias.

Mas se a dilatação é maior que quatro e for constatado que de fato a mulher está em trabalho de parto, não há por que fazer toque de meia em meia hora. O toque atrapalha por que muitas vezes a mulher é colocada em posição de litotomia para realização do exame, que é uma postura incômoda (e perigosa). Muitas vezes precisa parar o que está fazendo e se desconcentra para fazer o exame. Além de tudo, dói.  O ideal é que seja feito entre as contrações e não durante uma, com a mulher na posição mais cômoda para ela e não para o examinador. E obstetras, obstetrizes e parteiras experientes, sabem existem outros sinais muito mais relevantes de que o TP está progredindo. A duração das contrações, a intensidade delas, o intervalo entre elas, o próprio estado de consciência da mulher, tudo isso aponta para o estágio do TP em que a mulher se encontra.

Depois que a bolsa que contém o líquido amniótico se rompe, não há mais a barreira mecânica entre o bebê e o meio externo e assim, microorganismos podem contaminar o ambiente uterino. Portanto, após a ruptura da bolsa, deve-se ter ainda mais cautela com o exame, que pode servir como vetor de microorganismos patológicos.

Outra coisa que me perturba são aqueles relatos de mulheres que receberam o toque de DIVERSOS examinadores. Principalmente em hospitais universitários, 10 ou mais alunos usam aquela mulher como cobaia pra aprenderem a fazer o toque. E ela ali, desconfortavelmente deitada, indefesa e constrangida, aceita esta invasão calada. Ninguém é obrigada a aceitar. E eles não podem fazer isso sem pedir autorização para a parturiente. É violência obstétrica das mais graves.

Também pode ser usado como forma de subjulgar e castigar a mulher, com um exame de toque mais invasivo e dolorido como tortura, para que cale ou pare de gritar. Infelizmente, acontece.

Abre o olho, “mãezinha”!

  • Tem gente que dilata aos pouquinhos, devagar, chega até 3, quiçá 4 de dilatação assim, sem nem ver, durante os pródromos. Bom pra elas, na hora de parir, vai faltar menos (o que não quer dizer que vá ser mais rápido afinal, cada parto é um parto). Mas não ter dilatação antes de estar em trabalho de parto é perfeitamente normal. Assim, não ter dilatação com 38 semanas não é motivo pra agendar uma cesariana e não quer dizer que você não tem passagem. Não tem por que não é hora do bebê nascer. Simples assim Smiley de boca aberta.
  • Geralmente o SUS não interna mulheres com menos de 3 cm. Mandam dar uma voltinha e retornar se não passar. Mas na rede privada, pode apostar! Se chegar lá com mais de 38 semanas e com dor, mesmo que seja dor de barriga, mesmo que não haja dilatação, eles vão internar a gestante, vão colocar ela no soro (aliás, vão primeiro perguntar se ela quer chamar o médico dela pra fazer a cirurgia) e depois de fazerem de conta que estão tentando, vão olhar pra ela com cara de dó falar que há três horas ela não sai dos dois centímetros e que precisam operar. Não, não estou exagerando e não conheço um ou dois casos. Conheço centenas de relatos de mulheres que foram levadas para a cirurgia por não terem dilatação aos 2 cm ou seja, nem estavam em trabalho de parto ativo ainda.

E como foi comigo?

Fiz toque na primeira gestação, tinha um que fazia em toda consulta. Eu odiava. Depois de trocar de GO 3 x e achar um com quem me identifiquei (que fez o toque na primeira consulta, não sei pra que, pra ter certeza de que eu era mulher e tinha uma vagina, quem sabe – gente, piadinha, ok?) eu só voltei a fazer toque com 39 semanas. Na época, eu estava à 240 km de casa e queria saber se havia algum sinal de trabalho de parto iminente para que meu marido pudesse vir acompanhar o parto a tempo. Resultado: NADA DE DILATAÇÃO. Mas tive cólica e um leve sangramento. No outro dia ainda tinha colica e no outro dia meu filho nasceu, rsrsrs.

Na segunda, foi um parto domiciliar planejado e o obstetra tinha uma viagem marcada para o fim da semana, eu fechava 40 semanas no dia da consulta, já vinha com cólicas e perdendo o tampão mucoso há cerca de quatro dias. Além disso, cerca de 260 km nos distanciavam e eu queria ter uma vaga idéia de a quantas andava meu colo. PAra minha decepção, cerca de 1 cm. O toque me deixou com uma baita cólica, as contrações que eu já estava tendo há dias se intensificaram e Vini nasceu menos de 24 horas depois.

E agora? Nunca saberei se de fato era a hora de eles nascerem ou se o estímulo mecânico influenciou, mas enfim, foi. Sempre me dizem que não, que não foi o toque. Mas a pulguinha morrerá atrás da minha orelha e não consigo entender por que, mesmo sabendo que não quer dizer nada, fiz.

Obs.: Retirei a imagem utilizada da página Moça: teu GO é cesarista, do facebook.

P.S.: Teve médico enlouquecido comigo comentando. Eu postei os comentários devidamente respondidos. Mas como talvez você seja médico e esteja com pressa e louco pra me esculachar, vou colocar aqui sobre a questão da IIC.

Bem, o post se refere a gravidezes normais e saudáveis, de baixo risco. Agora, se há suspeita de Insuficiência Ístmo Cervical, até onde me consta, o protocolo é investigar ultrassonograficamente e verificar a espessura do colo, geralmente na morfológica do primeiro trimestre. MAs para haver suspeita a mulher tem que ter histórico de abortos recorrentes… Então, no caso de primigestas, qual seria o sentido de suspeitar de algo que acomete 1% da população em geral se o colo será medido na morfológica do primeiro e segundo trimestre? Aliás, para mulheres sem suspeita de IIC (e primigestas obviamente entram neste grupo) o protocolo é medir na do segundo trimestre (embora saibamos que é medida também na do primeiro).
E se não há evidências de que a cerclagem seja útil após as 27 semanas, onde o risco do procedimento pode superar os do parto prematuro, qual o sentido de investigar “tatilmente” após essa data?
Como falo, a vantagem de se conhecer como, porque e quando é feito o exame, é fundamental para que se possa fazer uma escolha consciente. E claro, contar com a assistência de um profissional de confiança também (seja obstetriz, enfermeira ou obstetra).