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Relato do Parto de Vinicíus–Domiciliar

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Gente, meu pinguinho fez dois anos esse fim de semana!!! E como comemoração, decidi publicar o relato, feito três meses depois. Eu sei, está enorme e olha que eu cortei trechos. Infelizmente, não tenho fotos do parto. Só uma, essa aqui:

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I – Planejando
Após o nascimento do meu primeiro filho, João Vítor, de forma “humanizada”, no HU, em floripa, encantanda com tudo o que acontecera, empolgada com todas as descobertas que fiz durante a gestação, continuei a ler sobre o assunto, a me informar, tentando compreender por que existe tanto mito e tanto medo do parto, se ele é uma experiência tão boa, tão prazerosa.
Li muita coisa que deveria ter lido antes do nascimento do meu filho. Descobri que o parto fora ótimo pra mim, mas que pra ele, nem tanto. Compreendi que todas as intervenções que ele sofreu logo após nascer foram desnecessárias, inclusive percebi que a nossa dificuldade inicial na amamentação decorrera do afastamento após o parto, que embora breve (nem uma hora), foi o suficiente para eu receber em meus braços um bebê cansado e sonolento, que não se interessou muito em sugar.
A vontade de ter outro filho, que foi instantânea, assim que o primeiro saiu de mim, aumentou. Planejava uns cinco anos de diferença, mas quando me mudei para o sul do estado, tão perto de uma equipe que pra mim era um sonho, resolvi encomendar o rebento de uma vez. Custei a engravidar, coisa da minha cabeça, de certo, pois assim que me filho completou três anos e o desmame se completou, engravidei (14 dias depois, rs…).

II – A gestação
Assim como da primeira vez, eu sabia que estava grávida antes mesmo do atraso menstrual. No primeiro dia de atraso fiz um teste de farmácia, que confirmou o que eu sentia. Fui à UBS, falei que estava grávida e comecei o pré natal pelo SUS. Marquei minha consulta com o Ric, entrei em contato com a Zezé e com oito semanas começamos DSCF1247_20130927170020268o pré natal, que foi maravilhoso, com longas consultas cheias de conversa. Gustavo as vezes saia seguro, as vezes inseguro… verdade verdadeira é que a opção pelo PD sempre foi muito mais minha que do Gustavo. Até hoje eu me pergunto se ele não teria preferido uma cesárea com hora marcada (embora me encha de orgulho quando o vejo argumentar a favor do PN ou quando acrescenta em uma conversa que Vinícius nasceu em casa e usa fraldas de pano, rs…).
Não pude aproveitar muito minha doula querida, por que a verdade é que eu meti a cara e me enfiei nessa história de PD sem grana nem pra Belly Cast (que o Gustavo fez e ficou uma porcaria, rs…).
Zeza estava sempre nas consultas, me examinava muito carinhosamente, explicava as coisas, com um jeito sereno, parece uma mãezona mesmo, atenciosa e paciente.
Fiz três ultras no total. Uma no comecinho, por que levei um choque em um fio desencapado e precisava ver se estava tudo ok. Não vimos nada, rs… cinco semanas. A segunda foi pra ver o sexo, de tanto minha mãe me aloprar pra saber. Por fim a morfológica, que foi premiada com os comentários do ultrassonografista: “Bem, até agora, está tudo bem com o bebÊ. Temos que continuar monitorando, por que existem alguns problemas que só aparecem depois. Mas o cordão está bem longe do pescoço dele” Ãhn? Ah tá! Obrigada por me deixar tranquila…

 

 III – Plano de Parto
Enrolei, enrolei e não materializei meu plano no papel. Ele ficou no mundo das idéias mesmo. Fez diferença sim, depois pontuo onde eu acho que o plano teria me ajudado. Mas tinha que ter um plano B, um C e um D!!! aaaaahhhhh! Pirei na batatinha! Mas descolei uma autorização pra equipe me atender no açougue, ops, digo, hospital local (caso fosse necessário). Pediatra eu não achei uma até hoje e a busca cômica, pra não dizer trágica. O cara que eu contactei topou de primeira e pareceu um entusiasta da causa. Mas a verdade é que ele não sacava nada de PD e estava imaginando uma megaestrutura para emergência e transporte, se pá até um helicóptero UTI no meu quintal, rs…
Quando falei que não queria ele presente, apenas um sobreaviso (remunerado, of course), ele emburrou, me esculachou, disse que era “muito mais profissional do que um mero expectante de luxo” e desejou boa sorte. Eis aí o X da questão: a maioria dos médicos se acham meros expectantes de luxo.
Desisti de Pediatra, desisti de enlouquecer querendo deixar tudo planejadíssimo, passo a passo, tipo receita de bolo. A gestação estava chegando ao fim e me conformei que, se precisasse de transferÊncia antes da equipe ou se o bebê precisasse ser transferido, eu ia ter que estufar o peito e dar a cara a tapa em uma Emergência qualquer.

IV – Reta final
No último mês sai de Licença Gestação e me mudei. Comecei oficialmente a arrumar o ninho. Só que a gente cisma em comparar uma gestação com a outra e eu esperava entrar em TP pelas 39 semanas. Mas desde as 38 o povo já começa a encher o saco: Ai, que barriga baixa, acho que nasce logo!!! O que? Não nasceu? pRa quando é? E se passar do tempo?

 

V – Pródromos
Mas essas cobranças contagiam e eu já não atendia mais o telefone. Em vez de me desligar e deixar acontecer, comecei a agir de forma fria e calculista, ho ho ho… Fazia faxina, caminhava, fui bater fotos pra me despedir da barriga, fiz belly cast em casa, briguei com o marido, li, li, li… Comi comida apimentada, levei o filho pra andar de bicicleta, até que resolvi atacar o maridão em uma madrugada pra ver se o negócio engrenava. 39 semanas e 3 dias. Bem, passei a ter mais contrações e pela manhã começou a sair um tampãozinho… NA noite seguinte estavam até ficando boas as contrações e continuava vindo mais tampão. Só que eu dormia e passava. Prodromei por três dias e na manhã de terça feira acordei com contrações relativamente fortes, mas mantive o meu silÊncio pra ninguém me encher o saco. Era dia de consulta e tínhamos duas horas e meia de estrada pela frente. Pra completar, o pneu estava furado.DSCF1250_20130927171315661 Eu bem que pensei que o bebê nasceria em Porto Alegre. Fui de casa até o consultório cronometrando contrações. Mas quando cheguei lá, elas sumiram.
Conversamos as últimas coisinhas, Zeza me pesou, aferiu minha pressão, Ric propôs um toque, ok, lá fomos nós. Eu juro por Deus que quis quebrar o dedo da mão dele que estava apoiada no meu joelho. Doeu pra cacete. Fiquei com raiva, mas não falei nada. Um cm, bebÊ insinuado, colo anterior. Zezé notou e tentou me confortar. Sai da consulta irritadíssima, com muita cólica. Sentia vontade de chorar. Fui embora tendo muitas contrações mas me recusava a aceitar que entraria em TP por causa de um toque. Meu primeiro filho nasceu depois de um toque. Será que iria acontecer de novo? Será que eu nunca entrava em TP espontâneamente? Será que um toque seria capaz de induzir ou adiantar um parto se não fosse a hora do bebÊ? Fiquei de mau humor o resto do dia. NA viagem de volta, cheguei a ter quatro contrações em dez minutos, mas não falei nada pro Gustavo. Ele me deixou em casa e foi trabalhar. Eu limpei o banheiro de novo e fui pro chuveiro. Por que aceitei fazer o toque? Por quê???? Saí do banho e decidi ligar pra Zezé, que conversou comigo e me acalmou. Percebi que durante os dez minutos em que conversamos não senti nenhuma contração. Decidi descansar mas, por via das dúvidas, liguei pro marido encomendei uma pantufa e um tapete pro banheiro.

VI – O trabalho de Parto
Gustavo chegou e me trouxe uma pantufa que não serviu. Pediu que fosse ao mercado com ele pra trocar por outra. Levantei com raiva, querendo mandar ele pr’aquele lugar, pois queria descansar um pouco. OK, vamos lá (continuava sem contar pra ele que estava com contrações). Ao descer do carro, no estacionamento, veio uma bem forte, que me fez parar. Ele e meu filho entraram e só depois notaram minha falta. Ele voltou e perguntou o que havia. Eu disse que era só uma contraçãozinha e seguimos em frente. Escolhi um chinelo e fomos na casa da senhora que tinha pego umas roupas minhas pra lavar. O caminho era esburacado e o carro balançava. Eu cronometrava escondida, no celular. Cada buraco era um flash, rs… Viemos embora e eu continuava me esforçando pra agir naturalmente. Dei banho no meu filho, vesti o pijaminha dele, deitei na cama e fomos ler uma historinha. DSCF1259_20130927170811893Quando ele dormiu, decidi tomar um banho demorado. Ralhei com o Gustavo, chorei, falei que achava que estava em TP e que se ele quisesse, ainda dava tempo de participar. Larguei o Parto Ativo aberto na parte das massagens e fui pro banho com o celular.
Cronometrei nem sei quantas vezes, lembrava da Rebeca falando que enquanto cronometrasse é por que não era TP (detalhe era a fotinho do orkut com carinha da Rebeca falando comigo com uma vozinha que eu inventei pra ela, rs…).
Percebi que as contrações se intensificaram, notei que estava meio grogue, aérea e resolvi ligar pro meu marido (não queria gritar por ele, pra não acordar meu filho nem minha mãe). Ele veio e eu entreguei o celular pra ele cronometrar. Mas ele não sabia como fazer, quando eu perguntava a frequÊncia ele não saia dizer e aquilo foi me deixando nervosa. Eu ainda lembrava do toque. Mas percebi que era aquilo mesmo, que chegara a hora e que Vinícius iria nascer.
Saí do banho pedi para o Gustavo ligar pra Zezé. Conversei com ela, mas não consegui falar muito. Passei pro Gustavo e eu não sei o que ela disse, mas ele começou a fazer massagem nas minhas costas (eu estava debruçada sobre a mesa da cozinha) e me ofereceu suco ou chá (senti vontade de rir na hora, Abençoada Zezé). Ligamos para o Ric e avisamos que podiam vir. Eram cerca de onze horas da noite.

VII – O parto
Daí pra frente o negócio engrenou de vez. Gustavo continuava tentando cronometrar e me perguntava o que foi cada vez que eu gemia (foi uma contração, po**a! Não… foi o quÊ? Dor de dente? rs… fui uma parturiente muito mal humorada, rs… Para de cronometrar essa me**a, kkkk). Decidi que ficaria na sala, e não no quarto como planejara inicialmente. Ele arumou o colchão no chão, colocou o plástico, uma colcha, almofadas e fui eu pro chão. Ficava em posição de lótus entre as contrações e na hora que elas vinham pedia pra ele puxar minhas mãos pra frente, ficando em posição genupeitoral, balançando os quadris pra frente e pra trás. Lembro de ter levantado pra caminhar e ao me apoiar no sofá para outra contração ouvi a voz e visualizei aquela propaganda do discovery home and health quando uma parturiente diz: ainda bem que inventaram a peridural. E fiquei viajando nisso, com raiva por esse pensamento ter invadido minha introspecção. “Que anestesia o que, nem dói tanto assim”…
vinha outra…
“tá, dói… é, pensando bem, como esperar que uma pessoa que passa a gestação inteira escolhendo papéis de parede e sapatinhos, que acreditou no “pó fica tranquila, querida” do GO na primeira consulta vá passar por isso e achar lindo?”
“Opa, melhor me concentrar de novo, a flor, pense na flor.”
Daí me veio a discussão da lista: lótus? Orquídea? Lírio? Fiquei com a Laelia Purpurata…
“Vocalize, abra bem a boca. Solte o ar lentamente, vibre”
O Gustavo tocou um lugar do meu quadril, nas margens do sacro, que fez outra contração começar imediatamente.
“Nunca mais toque aí! Tô com frio, vou pro chuveiro”
Me levantei sentindo o corpo mole. Meu queixo batia. Pedi o aquecedor e liguei o chuveiro beeeem quente. Frio, frio… minha cara carrancuda no espelho, com a testa tão contraída que chegava a doer, olhos semicerrados… Que tremedeira… Peraí! É a transição! Claro!!!
Saí do chuveiro e sentei no vaso. Pedi um suco. Gustavo trouxe mas abriu a porta na hora errada. Mandei fechar. Trinta segundos depois abro a porta com a cara mais normal do mundo, tomo o suco e digo: acho melhor encher a banheira. Ele disse que parecia uma maluquisse. Uma hora abria a porta e eu grunhia como se estivesse virando o incrível Hulk. Trinta segundos depois parecia uma professora de primário falando com os aluninhos, rs…
Ele colocou a dita cuja no box e eu ajudei a encaixar certinho. As contrações não doiam mais e eu achei uma frequência de vocalização ótima, que fazia toda a dor sumir.
Gustavo deixou a banheira enchendo e eu disse que achava melhor colocar a mangueira com água da rua também (sentia uma pressão no reto, muita vontade de fazer cocô.) Ele voltou da cozinha com o celular e uma mensagem do Ric (passamos de Torres). Significava que em menos de meia hora estariam ali. Era 1:57. Na contração seguinte minha bolsa estourou. Foi incrível (não ouvi ploft). Eu disse: Gustavo, a bolsa estourou!
Ele: tá, e agora?
Eu: Liga pra Zeza, diz que estourou e que o líquido está claro.
Percebi que estava puxando o porta toalhas cada contração e que a vocalização mudara, era um gemido de força. Resolvi me tocar e pude sentir a coisa mais macia do mundo, cerca de dois cm após a entrada da vagina. Sem dúvida, eram os cabelinhos dele. Pulei pra dentro da banheira e disse: Esquece a mangueira da rua Gustavo! Deixa assim.
Quando abri a porta dei de cara com a minha mãe. Ela disse que o João tinha acordado e que o Gustavo estava com ele por que ele não queria ficar com ela. Eu respondi: Mãe, não me deixa nervosa. ElA fez uma cara tipo: Mas eu não fiz nada!!! rs… e realmente não tinha feito!
Fechei a porta e entrei na banheira. Mais um puxo, eu escancarava a boca e vocalizava um sonoro e longo aaaaaaaaaaa. Foi muito legal, era instintivo e bonito, parecia um canto. Minha mãe disse depois que o João perguntava o que era isso e que o Gustavo disse que era o mar… kkkkk querendo enganar o guri… a mãe disse que ele respondeu que não era o mar não e então ela disse: Esse som é a mamãe cantando para o teu irmãozinho chegar. Eu nem me liguei em chamar ele pra ficar comigo. Na verdade, não chamei ninguém. Eu estava muito conectada com meu corpo, com o bebÊ, visualizava um túnel, via como se estivesse no lugar dele. Estava sozinha no banheiro e assim estava ótimo.
Chamei minha mãe e pedi uma peneira. Segundos depois a vejo entrar no banheiro com uma cadeira. “que cadeira é essa, mãe?” “Ué, não me pedisse uma cadeira?” “Não, mãe, uma peneira!!! tem na segunda gaveta da pia”.
Ela trouxe. “posso ajudar com mais alguma coisa?” “pode! Sai e fecha a porta”
Na outra contração, soprei a água e fiquei vendo o reflexo na superfície… Estava vindo outro puxo, ele ia nascer. Me ajoelhei para ampará-lo, mas quando a contração veio, precisei ficar em quatro apoios de novo. Pensava: preciso me ajoelhar, preciso pegar o bebê. Meu períneo começou a queimar. Eu queria tocar, mas não conseguia sair daquela posição.
A voz da Zezé vinha na minha mente dizendo: não segura o teu parto, deixa nascer!
Eu pensava: nossa… ele vai nascer e a equipe não chegou. Seremos só eu e ele… Não vou falar nada, vou amparar o bebê e pronto.
Estou me preparando para a próxima força quando ouço a voz do Ric: Chegamos!!!
Na porta vejo a carinha dele e a da Zezé atrás.
Na verdade, desconcentrei. Sei lá, foi um misto de alívio e sei lá o que… Gritei: Vai nascer! Ricardo pediu pra eu virar pra ele poder ver o bebÊ. Mas eu estava paralizada naquela posição. Disse: não dá! Está queimando!
Ele pôs a mão na água e tocou a cabeça do bebÊ: é, a cabecinha está aqui, vira…
Eu repeti que não conseguia e gritei, tá vindo outra! Nasceu a cabeça.
Vai nascer! Agora!!!
Fechei os olhos e ouvi o chorinho mais lindo do mundo, bem alto. 28 de setembro, 2:40h. Zezé me ajudou a levantar enquanto Ricardo segurava o bebÊ. Passei a perna sobre o bebÊ (e o Ricardo. Não cresce ma-ais. :P). Ele me entregou o Vini e chamou a Zeza.
Foi incrível, mágico e sublime. Eu chorava e repetia: meu amor!!! ele chorava no meu colo, rosadinho. Lindo… Nossa, a sensação é indescritível, parece que o coração vai explodir de amor. E o cheirinho doce, o calor do corpinho escorregadio. João Vítor veio ver, Gustavo também. Depois me contou que não acreditou quando o médico abriu a porta e me ouviu gritando VAI NASCER!!! Como assim? rs..

VIII – Primeiros minutos
911783_648766265140926_759874244_nUns dez minutos depois fomos para a cama. Ele grudadinho em mim o tempo todo. Não abriu os olhos como eu tanto sonhei… Só espiou de cantinho e fechou de novo. Mamou menos de 20 min após o parto, com o cordão ainda ligado. Zeza chamou o Gustavo pra cortar o cordão e, embora eu inicialmente quisesse aguardar a placenta dequitar pra cortar o cordão, nem me manifestei, por que estava demorando pra dequitar e a coliquinha estava me incomodando. Mas eu gostaria de ter esperado. Talvez se tivesse feito o plano de parto, a Zezé pudesse ter me lembrado do que eu desejava.
Acho que quase uma hora depois a placenta saiu, nem sei. Sei que a Zeza achou melhor tracionar (ela já estava solta, só não tinha saído ainda). Guardamos a placenta e plantamos com uma muda de Ipê amarelo dos dias depois, no quintal da nossa casa.
Tive duas pequenas lacerações de mucosa, que não renderam912919_648768461807373_1299521031_n pontos e três dias depois nem existiam mais.
Depois da saída da placenta e de ter mamado bastante, Vinícius foi pesado e medido, muito carinhosamente pela Zeza. 51 cm, 3,375 kg.
Eu nem tinha separado roupa nenhuma pois minha intenção era deixá-lo só de fraldinha, em contato com minha pele. Mas estava meio frio e elas escolheram uma roupinha enquanto eu comia (estava morta de fome!). Segundo o Ric, ficou parecendo um ser de outro planeta, rs…
O João Vitor ficou cercando, foi chegando, se aproximando e no final, dormiu do lado do irmãozinho. Nunca vou esquecer a felicidade que eu senti, vendo os dois deitadinhos lado a lado, sentindo meu corpo cansado mas sem conseguir dormir. Senti vontade de pular de alegria.

IX – A certidão de nascimento
Bem, se teve uma coisa que me aborreceu muito foi a história da certidão. Logo no dia seguinte, menos de doze horas depois do bebê nascer, Gustavo foi ao cartório acompanhando de duas testemunhas: um colega nosso de trabalho e a minha fisioterapeuta. A tabeliã se recusou a registrar a criança por não haver DNV. Disse que o cartão do pré natal e caderneta de saúde não significavam nada e que sem DNV não iria registrar pois havia uma regra dos cartórios de Santa Catarina que não permitia o registro sem DNV. Ele veio embora com a cara no chão eu me mordi, peguei o bebê e fui no cartório. Perguntei se o cara não lembrava que eu tinha ido ali e perguntado sobre o procedimento para registro de uma criança nascida em casa e que ele mesmo me dissera que bastava vir o pai e duas testemunhas maiores de 18 anos. Como agora se recusavam a registrar meu filho? Ele veio com o papo da norma de conduta de SC e blá blá blá. Eu disse que nenhuma norma estadual poderia de sobrepor ao ECA, uma lei federal.
A tabeliã se levantou e fechou a porta da sala dela na nossa cara. Eu disse que procuraria o conselho tutelar. Meu marido ainda perguntou se se ele voltasse ali depois de 12 anos, com a criança e duas testemunhas eles registrariam e o cara respondeu que sim, nesse caso registrariam. Quando disse que nascer em casa era a coisa mais comum do mundo o cara respondeu debochadamente que pra ele não.
Sai com o bebÊ no colo e a cara no chão, com vontade de chorar. Fui no conselho, liguei pro plantão mas pensei comigo: vou passar no posto de saúde e conversar com as gurias. Elas foram super atenciosas, tentaram conseguir uma DNV. MAs o fato é que não conseguiram por que a própria responsável pelo setor na capital do estado disse que não havia necessidade de DNV. Resolvemos ir ao Ministério Público.
Com cinco dias de vida, Vinicius estava comigo, depondo para uma acessora ou estagiária que me perguntou por que eu optara por ter o parto em casa, se eu seguia alguma SEITA!
Como o material cirúrgico foi esterilizado?
Com o que eu cortei o cordão? (com uma pedra lascada!!!!!)
E quis encerrar o depoimento no fim do relato do parto. Daí eu questionei: sim, mas e a parte do cartório, o fato de se recusarem a registrar o bebÊ, não é por isso que estamos aqui? Daí ela resumiu o meu constrangimento no cartório em duas linhas.
A Promotora chegou conversamos um pouco. Ela contou que tinha uma amiga que parira em casa com as meninas do Hanami e que ela mesma havia tentado o Parto Normal mas que sofrera por 12 horas e não teve dilatação, tendo que ser operada. Me pediram um atestado do médico que atendera meu parto.
Saí de lá com a voz do Raul Seixas cantando na minha cabeça: tem que ser selado, registrado, carimbado…
Depois é que minha ficha caiu e que percebi que eu estava lá justificando meu parto e provando que o filho era meu, não me queixando do cartório. Eu estava fazendo o que a tabeliã deveria ter feito, caso desconfiasse da origem da criança (caso eu não morasse em uma cidade de 6 mil habitantes onde todo mundo se conhece sabe que eu estava grávida).
Mas ela não fez, nem pegou meus dados pra apresentar no MP como deveria ter feito, nem avisou o conselho tutelar, nada, simplesmente negou um direito fundamental do cidadão e me humilhou. Se eu fosse uma maníaca sequestradora de bebês, a esta altura estaria longe.
Juntei o atestado, umas fotos grávida e uma na banheira logo após o parto que até hoje não sei quem foi que bateu e é a única foto do parto que eu tenho. Dias depois tivemos uma audiência com o Juiz.
Só no dia 7 de dezembro a certidão de nascimento foi emitida. E a DNV? A guria do cartório solicitou e preencheu… Declaração de Nascido Vivo… bem, pra mim parece bem vivo, e pra você???

X – Pro próximo parto
No próximo eu pretendo escrever um plano de parto. Pretendo amparar o bebê eu mesma e lembrar de colocar velas no banheiro, pra uma iluminação mais legal. Se estiver no clima, música, mas acho que vou de silêncio de novo, adoro o silêncio. Pretendo chamar meus filhos pra verem o irmão nascer (até hoje João Vítor diz que o médico chegou pra fazer o irmãozinho nascer… como disse o Ric: se eu não chego na hora esse bebÊ não nascia, rs…). Pretendo aguardar a placenta dequitar pra clampear o cordão. Vou escolher uma roupinha pro meu filho não ficar parecendo um astronauta na primeira foto da vida, rs…Vou no cartório na finaleira, vou chamar a tabeliã e bater uma foto do lado dela, grávida.
Achei a inicial que o MP escreveu muito legal. Não sei se foi a promotora ou a acessora, mas foi bem fundamentada, colocaram recomendações da OMS para priorizar o parto natural, fizeram uma breve diferenciação de parto natural e normal, bem interessante. Tomara que alguem tenha se contagiado!
E a peneira? Bem, acho que até hoje minha mãe não entendeu pra que eu pedi a peneira.
Mas a presença da minha mãe foi boa. Pra ela e pra mim. Ela disse que me achou muito madura e sinto que se orgulhou muito de mim. Também percebi que a ajudou a digerir o parto dela.

E, Ric, a raiva pelo toque passou, tá? Acho que o toque foi meio que um acordo tácito. Eu não falei, mas estava ansiosa e meio que forçando a barra pra engrenar um TP. Talvez por isso tenha aceitado tão facilmente. Não sei… Mas isso me fez pensar, como a gente cede, a gente muda. Fim de gestação é delicado. Imagina se fosse uma equipe padrão. Como discutir com uma equipe na hora P?
Mas, no próximo parto, vai ser sem toque, rs…
A equipe, se possível, vai ser a mesma, pra vir dar a benção pro recém nascido, por que tenho certeza que esse nasce antes de chegarem.

E que venha o terceirinho! Feliz aniversário, meu alemãozinho levado! ❤

A Marcha do Parto em casa – mais de cinco mil mulheres às ruas, por todo o Brasil, pelo direito de escolha!

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Foi incrível, mágico, poderoso! Mulheres maravilhosas do Brasil inteiro foram às ruas gritar: Sò quero assistência baseada em evidências!!!

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As fotos da mobilização, os cartazes em protesto, Jorge Kuhn cercado de manifestantes que o apoiam e defendem (Dr. Jorge é meu amigo! Mexeu com ele mexeu comigo!!!), tudo isso encheu o peito de ativistas e profissionais da humanização do nascimento de orgulho e calor humano! E deixou na boca um gostinho de quero mais, principalmente com relação às matérias que circularam na mídia, que não conseguiram ser imparciais, embora tenham tentando se travestir de justas e meramente informativas.

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Eu só discordei com um viés da manifestação. Era pelo direito de escolha sim, mas pra mim, dizer que cesárea é um direito de escolha, bem, complica, certo? Segue abaixo esse texto, muito esclarecedor, por sinal, sobre a falsa idéia de que parto cirúrgico é uma opção.

 

Escrito por: Roselene de Araujo

Nossos obstetras, agarrados ao osso do nascimento cirúrgico, erguem como um trunfo o corpo da ativista australiana morta (aliás, no hospital). E escondem em seus armários os corpos das mortes em decorrência de cesarianas desnecessárias, eletivas, agendadas, aquelas que a sociedade vê como “o médico fez tudo que era possível, fez a cesárea, tudo direitinho”.
Marsden Wagner, quando Diretor de Saúde Materno-Infantil da Organização Mundial de Saúde, alertou para o número alarmante de mulheres que morriam anualmente no Brasil em decorrência dessas cesarianas: 500 mulheres!
Quando a Rede Parto do Princípio denunciou ao Ministério Público Federal, as taxas absurdas de cesarianas na rede suplementar, Marsden Wagner enviou uma mensagem pessoal:

“Gostaria de parabenizá-las pela realização deste importante trabalho pelo fim das cesarianas desnecessárias no Brasil. A mortalidade materna no Brasil é alta demais e é a maior entre as maiores taxas de cesárea do mundo. Bons trabalhos mostram que a taxa de mortalidade de mulheres que passam por cesarianas eletivas é aproximadamente 3 vezes maior que as que passam pelo parto normal. Centenas de mulheres morrem anualmente devido a cesarianas desnecessárias. O trabalho de voces é muito importante. Por favor, mantenham-me informado.
Sinceramente,
Professor Marsden Wagner M.D.
Diretor de Saúde da Criança e da Mulher
Organização Mundial Saúde”

Outra coisa.
Não existe um procedimento chamado “cesariana a pedido”. Não no mundo da legalidade.
Se há obstetra despudorado o suficiente para lançar esta frase como indicação de cirurgia num prontuário, das duas uma: ou é petulância, ou ignorância.
Portanto, não digam – srs obstetras, cremesp, sociedade – que fazem cesarianas porque as mulheres querem: os senhores NÃO PODEM fazer cesariana “a pedido”. Se pudessem, se isto fosse um direito, o mesmo direito estaria disponível às mulheres que utilizam o SUS. Direito não envolve poder de compra.
É por isto que o agendamento sempre vem acompanhado de uma indicaçãozinha básica: “vamos marcar, porque logo se vê que você não tem passagem!” E então o prontuário pode ser preenchido com a devida vênia: “desproporção céfalo-pélvica”.
Quase toda indicação nasce dos laudos de ultrassom: “hum… tá com pouco líquido, hein? vamos marcar.” hum… placenta velha. cordão enrolado. bebê muito grande.
E mesmo as cesáreas descaradamente agendadas, a pedido mesmo, para 11/11/11, ou de modo que não seja de capricórnio, doutor, pelo amor de deus que já basta o meu marido – mesmo pra estas sempre rola um comentário: “viu como foi bom fazermos a cesárea? olha só, as circulares do cordão!” – afinal o doutor terá que em seguida lançar uma indicação no prontuário, e a barbárie ainda não chegou ao ponto de se poder assumir: “cesariana por motivo astrológico”.
E por que não se institui logo a cesariana a pedido para todos? Afinal, as maternidades particulares são formatadas para as cesáreas em série, os consultórios estão organizados em função dos dias em que o doutor opera e os dias em que está no consultório, as faculdades de medicina ensinam que cesariana é a regra, então por que não regularizam logo a esbórnia?
Primeiro, que o país é grande e contrastante demais para dar conta da cesárea como “direito de escolha”. Não há hospitais em todos os recantos recônditos desse mundão. Aliás, pelo mesmo motivo não se pode, por exemplo, proibir o parto domiciliar assistido por parteira. Simplesmente porque não há outra alternativa para grande parte das brasileiras – sorte das mulheres urbanas que desejam parir de forma desmedicalizada, como recomenda a Organização Mundial de Saúde para o baixo risco – ou seja, para a grande maioria das mulheres.
E nesse conflito encontramos ainda outro ponto nevrálgico: onde irão encontrar nossos chefes de tocoginecologia, material didático melhor do que mulheres parindo em seus hospitais-escola para o aprendizado de seus residentes? Períneos em abundância para o treino de corte e costura! Episiotomias e suas episiorrafias em 100% dos partos! Tão necessário quanto cortar nossos esfíncteres a cada excreção “só pra dar uma ajudinha, senão não sai!” E o uso de fórceps em todas as primíparas – também para fins didáticos – sem nenhum tipo de esclarecimento à mulher, que sai de lá carregando pro resto da vida o peso de seu filho “ter precisado ser puxado a fórceps”?
Portanto, tenhamos clareza: quando um médico vira objeto de preocupação interestadual de conselhos de medicina por dizer num programa de televisão que o parto é um evento FISIOLÓGICO – ou seja, saudável e feito pelo corpo da mulher, que não haja dúvida: a árvore da conveniência intervencionista é que está sendo balançada.
Se a preocupação fosse com a mulher e seu bebê, não teríamos as taxas que temos de “binômios” levados a risco cirúrgico desnecessário, não teríamos o assédio moral da violência obstétrica vivenciada por milhares de mulheres todos os dias, parindo ao som de “na hora de fazer foi bom, que que tá gritando agora?!?”; não teríamos mulheres parindo convertidas em material didático das escolas de medicina; não teríamos classes de profissionais de saúde se engalfinhando pela reserva de mercado da assistência ao parto. A lista continua.
A cesariana a pedido é uma ilusão, uma miragem na qual os obstetras querem mais é que todos acreditem. Não sou contra que este direito exista, apenas penso que as mulheres que o desejam, devam lutar por sua legalização. Porque hoje, toda cesariana sem indicação comprovada é passível de processo, pois contradiz a responsabilidade civil do médico, que entre outras premissas baseia-se no seguinte artigo de seu código de ética:
“Capítulo III – Responsabilidade profissional
É vetado ao médico:
(…)
Art 14 Praticar ou indicar atos médicos desnecessários (…)”.

A MArcha na mídia:

http://blogsaudebrasil.com.br/2012/06/17/marcha-reune-familias-e-profissionais-em-defesa-do-parto-humanizado/

http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/teledomingo/videos/t/edicoes/v/mais-de-100-mulheres-se-reuniram-em-marcha-em-respeito-ao-parto-em-casa/1997955/

http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/bom-dia-rio-grande/videos/t/edicoes/v/cerca-de-100-mulheres-se-reunem-em-porto-alegre-para-apoiar-realizacao-de-partos-em-casa/1998341/

http://globotv.globo.com/rede-globo/bom-dia-sao-paulo/v/passeata-reune-pessoas-que-lutam-pelo-direito-do-parto-em-casa-na-avenida-paulista/1998043/

http://www.clicksbyclebermassao.com/2012/06/marcha-do-parto-em-casa-av-paulista-sao.html#more

http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1681003-15605,00-MULHERES+PROTESTAM+EM+DEFESA+DO+PARTO+DOMICILIAR.html

Obs.: As fotos foram retiradas do Facebook e do internet. Se você está em uma das fotos ou se a foto é sua, sinta-se à vnontade para pedir que eu a retire do ar ou vincule à algum link específico. Alegre

Marcha pelo Parto em casa

Padrão

Sim! estamos presenciando uma revolução, mulheres! Nos dias 16 e 17 de junho (anotem essas datas!) mães do Brasil inteiro sairão às ruas para requerer o que nos pertence de direito: o direito de escolher o local e a forma como se deseja parir. Pra você, parece pedir muito? Pois pra mim é simplesmente inadmissível que, em pelo ano 2012, médicos, enfermeiras obstetras, obstetrizes, parteiras e mães ainda sejam perseguidos e lançados à fogueira simplesmente por defenderam suas convicções e por requererem o direito de parir seus filhos da maneira que mais lhes convém: com amor, respeito, cuidado e principalmente LIBERDADE!

Marcha pelo direito de escolha do lugar de parto e da equipe de assistência

Me emociona presenciar essa revolução! Em questão de horas o evento foi organizado e se espalhou pelo país, como um rastilho de pólvora! Após a aparição do queridíssimo médico obstetra Dr. Jorge Kuhn no Fantástico, na noite de domigo, onde manifestou-se abertamente à favor do parto domiciliar (o que pra nós, ativistas, já não era novidade alguma), o CREMERJ mordeu e, vestindo sua melhor roupa de carrasco, entrou o contato com o CREMESP pra “dedurar” Dr. Jorge e exigir que ele seja punido simplesmente por ter defendido em rede nacional o que há muito tempo já é sabido e notório em diversos países do planeta!

A OMS recomenda, o próprio guia de atenção ao parto do Ministério da Saúde deixa claro que a mulher tem o direito de escolha e PRECISA ser respeitada. Há anos a Holanda oferece essa opção para as gestantes, na Alemanha a mulher pode até mesmo escolher parir SOZINHA em sua casa. E no Brasil? No Brasil estamos sendo lançadas à fogueira e tolhidas do nosso direito fundamental: LIBERDADE DE ESCOLHA! Opinar sobre o que fazem ou deixam de fazer  com nossos corpos e com os corpos de nossos filhos. O CREMERJ (e demais conselhos médicos, se se colocam nítidamente contra o parto domiciliar, com argumentos fracos e desprovidos de verdade, absolutamente desatualizados cientificamente) se acha no direito de simplesmente CALAR A BOCA de milhares de mulheres que querem apenas buscar para si e seus filhos um parto digno e com amor, inseridos no seio de sua família, como acreditam que deva ser o nascimento humano. Se trata de invadir a privacidade da família brasileira, não podemos nos calar!!! Por que afinal, ao invés de agirem arbitrariamente e de forma ditatorial, não se abrem para o debate (aliás, assine aqui a petição pública!)

O parto domiciliar é seguro sim, as mentiras precisam acabar! E se mulheres podem optar (e são inclusive incentivadas à isso) por uma cirurgia, por uma extração abdominal, mesmo havendo evidências científicas de que esse sim é um ato que coloca em risco a saúde (física e psíquica) da mulher e do bebê, por que eu não posso querer ter meu filho em casa? Querem nos boicotar, nos deixar desassistidas, proibindo obstetras, obstetrizes e enfermeiras de nos atenderam em domicílio. Por quê? À quem isso ofende? Parir os filhos com prazer e alegria é assim, uma heresia tão grande?

Eu não admito ser marginalizada e ter que me esconder sozinha, no silÊncio da minha casa para parir sem assistÊncia simplesmente porque o Conselho não deixa nenhum médico me assistir? Como assim? colocando agora os pingos nos is, sendo eu a CLIENTE, não tenho direito de escolha? Se o medo é perder esse quinhão do mercado, afinal, pessoas nascem todos os dias, por que não se adequam para oferecer o que o cliente procura, ao invés de se apavorar e cair de pau em cima sem sequer saber do que estão falando? É, isso mesmo, falam SEM SABER! Não basta ostentar o diploma em uma moldura dourada na parede do consultório. Tem que se atualizar, tem que ler, se informar. A ciência é dinâmica e não há, na medicina e em nenhuma outra ciência, a verdade absoluta.

Não se trata de querer acabar com o parto hospitalar, não se trata de querer acabar com as cesarianas eletivas, nem com a iatrogenia, nem com essa cultura hospitalocêntrica que nos faz tratar o nascimento humano não mais como um ato fisiológico e sim como um ato médico, mecanizado e cartesiano. Se trata de EXIGIR o DIREITO de ESCOLHER! Mas tente, apenas tente discutir com algum médico “padrão” qualquer ponto do seu diagnóstico, ou uma receita, ou um sintoma. O mínimo que vai acontecer é você ser infantilizada e tratada como retardada enquanto o cara se segura atrás da mesa, pensando “quem essa fulaninha pensa que é para querer discutir meu diagnóstico? EU sou o MÉDICO aqui!”. Como se diploma conferisse super poderes à alguém. Estou mentindo?

Não! Não precisamos do seu CONSELHO para parir! (frase da Lígia Sena)

Procure o local da marcha na sua cidade e participe! Venha fazer história e defender os direitos reprodutivos das mulheres!

Links:

 

Cientista Que Virou Mãe

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